O rei Charles III e a rainha Camilla da Grã-Bretanha chegam aos Estados Unidos ainda nesta segunda-feira (27) para uma visita de quatro dias, em uma viagem que ganhou ainda mais destaque após o ataque a tiros no jantar da Associação de Correspondentes da Casa Branca e em meio à animosidade entre os aliados próximos.
A visita de Estado, de longe a mais importante e relevante do reinado de Charles, marca o 250º aniversário da declaração de independência dos EUA do domínio britânico e é a primeira ida de um monarca britânico ao país em duas décadas.
Ela começa com um encontro privado com o presidente americano Donald Trump, autoproclamado fã da realeza, e inclui um discurso ao Congresso e um jantar suntuoso na Casa Branca.
Ataque a tiros antes da visita
Mas a viagem, planejada há muito tempo, acabou envolvida na disputa política entre os dois países sobre a guerra EUA-Israel contra o Irã, que levou Trump a expressar profundo descontentamento com o governo britânico por não apoiar a ofensiva.
O ataque ocorrido no sábado (25) durante o jantar da Associação de Correspondentes da Casa Branca, em Washington, com o presidente e membros de sua administração como prováveis alvos, segundo o procurador-geral interino dos EUA, lançou uma sombra ainda maior sobre a visita.
O Palácio de Buckingham afirmou que a viagem ainda se manterá conforme planejado, após discussões entre as autoridades britânicas e americanas para determinar se o incidente afetaria os planos da família real.
“O rei e a rainha estão extremamente gratos a todos que trabalharam com agilidade para garantir que isso continue acontecendo e aguardam ansiosamente o início da visita amanhã”, afirmou um porta-voz do palácio no domingo (26).
Críticas de Trump contra posição britânica em relação ao Irã
Ao chegarem a Washington, o rei e a rainha tomam um chá particular com o presidente, um admirador declarado da família real britânica que frequentemente descreve Charles como um “grande homem”, e sua esposa, a primeira-dama Melania Trump.
O rei, de 77 anos, que ainda está em tratamento contra o câncer, discursará no Congresso no dia seguinte – apenas a segunda vez que um monarca britânico o faz.
Em seguida, a família real seguirá para Nova York, onde homenageará as vítimas dos ataques de 11 de setembro de 2001, às vésperas do 25º aniversário, enquanto a rainha também celebrará o centenário das histórias infantis com o Ursinho Pooh.
A viagem aos EUA termina na Virgínia, com o rei reunindo-se com pessoas envolvidas em trabalhos de conservação, uma homenagem aos seus cinquenta anos de ativismo ambiental.
O governo do primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, espera que a visita fortaleça o futuro da “relação especial” entre os dois aliados, que se encontra em seu ponto mais baixo desde a Crise de Suez, em 1956.
O embaixador britânico nos EUA, Christian Turner, afirmou que a visita ressaltará a história compartilhada, os sacrifícios e os valores comuns entre os dois países, acrescentando que a abordagem será tipicamente britânica: “Manter a calma e seguir em frente”.
Embora Trump tenha amenizado suas críticas à Grã-Bretanha nos últimos dias em relação à sua resposta à guerra com o Irã, um e-mail interno do Pentágono revelou como os EUA poderiam rever sua posição sobre a reivindicação britânica das Ilhas Malvinas como punição pela falta de apoio, tensionando novamente as relações bilaterais.
Um tema que ficou de fora da pauta durante a visita foi o escândalo de Jeffrey Epstein. Fontes da realeza afirmaram que não foi possível para o casal real encontrar-se com nenhuma vítima de Epstein durante a viagem, como alguns solicitaram, para evitar impactos em potenciais processos criminais.
O irmão de Charles, Andrew Mountbatten-Windsor, cuja reputação e posição na realeza foram destruídas por suas ligações com o falecido criminoso sexual americano, está atualmente sendo investigado pela polícia por suas conexões. O ex-príncipe Andrew nega qualquer irregularidade.
Entenda relação entre o ex-príncipe Andrew e Jeffrey Epstein

