Os membros do Federal Reserve se reunirão em Washington nesta semana no que pode ser a última reunião de Jerome Powell como chair do banco central dos Estados Unidos, em meio aos preços da energia ainda elevados e a guerra do Irã em um impasse. Os fatores devem prolongar a incerteza sobre as perspectivas econômicas e de política monetária.
A data de 15 de maio para o fim dos oito anos de Powell no comando do Fed parece agora mais provável depois que um grande obstáculo à confirmação pelo Senado dos EUA de seu sucessor indicado, Kevin Warsh, foi removido na sexta-feira.
Como ato final, Powell provavelmente supervisionará na quarta-feira outra votação do Comitê Federal de Mercado Aberto para manter sua taxa de juros de referência na faixa de 3,50% a 3,75%, onde está desde dezembro.
Ainda assim, a reunião e a coletiva de imprensa de Powell após o anúncio da decisão poderão definir questões importantes, inclusive se as autoridades acenarão com a possibilidade de aumentos nos juros ainda este ano caso a inflação acelere.
A questão de saber se Powell permanecerá na diretoria do Fed, mesmo que Warsh seja confirmado a tempo de dirigir a próxima reunião de política monetária em junho, também poderá ser abordada.
O Departamento de Justiça dos EUA encerrou, na sexta-feira, uma polêmica investigação criminal contra Powell em relação às reformas da sede do Fed em Washington, potencialmente satisfazendo as exigências de um importante senador republicano que ameaçou adiar a confirmação de Warsh por causa disso.
Powell também fez do fim da investigação uma condição para deixar a diretoria do Fed. Os chefes dos bancos centrais dos EUA tradicionalmente renunciam a seus cargos na diretoria quando seus mandatos de liderança expiram.
O ex-chairman disse, no entanto, que poderia ficar e que “tomará essa decisão com base no que eu acho que é melhor para a instituição e para as pessoas a quem servimos”, um teste mais amplo relacionado aos esforços do presidente Donald Trump para invadir a independência do Fed.
Powell pode permanecer como diretor do Fed até janeiro de 2028, o último ano completo da presidência de Trump e um longo epílogo para o homem que o presidente apelidou de “tarde demais” por não ter realizado os grandes cortes na taxa de juros que ele exigiu.
O atual chefe do Fed provavelmente será questionado sobre seus planos, bem como sobre o conteúdo econômico de um debate ainda obscurecido pela guerra entre os EUA e o Irã. O comunicado do Fomc será divulgada às 15h (horário de Brasília) de quarta-feira, e a coletiva de imprensa de Powell será realizada meia hora depois.
Quando a guerra começou em 28 de fevereiro, banqueiros centrais disseram que o impacto sobre a inflação e o crescimento econômico dependeria da rapidez com que ela terminasse e se os preços do petróleo voltariam aos níveis anteriores à guerra, de cerca de US$70 por barril.
Oito semanas depois, os bombardeios foram interrompidos, mas a guerra econômica ainda está em andamento, com os EUA bloqueando os navios iranianos de deixarem o Estreito de Ormuz, o Irã impedindo que outras embarcações passem pela hidrovia e a interrupção das cadeias globais de oferta de petróleo e outros produtos em um ponto em que as autoridades estão levando os riscos de inflação mais a sério.

