O mercado financeiro reagiu de forma negativa ao plano do governo federal para conter a alta dos combustíveis, diz Lucinda Pinto, analista de economia do CNN Money.
A proposta, que envolve o uso de parte da arrecadação extra proveniente da valorização do petróleo para subsidiar os preços dos combustíveis, gerou desconfiança entre investidores.
Segundo a analista, o mal-estar nos mercados continua após o anúncio da medida.
“O mercado reagiu diretamente à percepção de que aquele ganho fiscal que teríamos com a valorização do petróleo vai ser diminuído”, explicou.
Embora o mecanismo não elimine completamente o ganho fiscal, há uma perda significativa do benefício que já estava sendo considerado nas projeções dos analistas.
A falta de clareza sobre a implementação do mecanismo é um dos principais pontos de crítica.
“Não está claro como o governo vai implementar esse mecanismo”, apontou Lucinda.
Entre as dúvidas estão a base de comparação para considerar uma receita como extraordinária. Outro problema destacado pela analista é a volatilidade do preço do petróleo, que dificulta previsões estáveis.
“A gente viu o petróleo na semana passada cair para US$ 90, essa semana já está em mais de US$ 100, chegou a US$ 105 o Brent”, exemplificou.
Essa instabilidade gera incertezas sobre como serão feitos os ajustes – se semanalmente, diariamente ou por média – o que prejudica a previsibilidade para o setor produtivo.
Há também o temor de que o subsídio se torne uma medida permanente, enquanto a compensação fiscal seja incerta.
“Você pode ter uma frustração e aí começa uma leitura de que talvez o subsídio seja certo, a renúncia seja certa, mas a compensação seja duvidosa”, alertou Lucinda.
A questão fiscal voltou a ganhar destaque nas discussões econômicas, especialmente após o relatório do FMI (Fundo Monetário Internacional) que destacou os problemas da dívida brasileira.
“O mundo todo está olhando para o custo das medidas de proteção à crise, o custo fiscal disso tudo”, observou a analista.
Embora a intenção de proteger o consumidor sem gerar custo fiscal adicional seja louvável, segundo Lucinda, o contexto da dívida brasileira ascendente limita as opções do governo.
O timing da medida também gerou desconfiança sobre possíveis motivações eleitorais, contribuindo para o desconforto no mercado financeiro. A percepção é que medidas tecnicamente justificáveis podem estar sendo implementadas com objetivos políticos de curto prazo.
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