Faltando pouco menos de dois meses para a Copa do Mundo de 2026, Guadalajara registra 90,2% de moradores que se sentem inseguros, segundo pesquisa nacional de segurança pública divulgada na sexta-feira (24) pelo Inegi (Instituto Nacional de Estatística e Geografia).
A cidade do estado de Jalisco, marcada pela violência do narcotráfico e por milhares de casos de pessoas desaparecidas, vive uma tendência de aumento na percepção de insegurança entre seus habitantes. O índice atual representa avanço em relação aos 79,2% registrados em dezembro de 2025, diferença que o Inegi classificou como “estatisticamente significativa”.
A segurança no México, um dos três países-sede do Mundial, tem sido uma das principais preocupações na preparação para o torneio.
Na região metropolitana de Guadalajara, o cenário se agravou desde fevereiro, após uma operação de forças federais em Jalisco para prender Nemesio Oseguera Cervantes, o “El Mencho”, líder do CJNG (Cartel Jalisco Nova Geração).
De acordo com a Agência Antidrogas dos Estados Unidos, o grupo é considerado uma das organizações criminosas mais poderosas e implacáveis do México e foi designado como organização terrorista pelos Estados Unidos semanas após o início do segundo mandato do presidente Donald Trump.
“El Mencho” ficou gravemente ferido durante a operação e morreu a caminho do hospital. A morte desencadeou uma onda de violência em diversas partes de Jalisco, incluindo Guadalajara, Zapopan e Puerto Vallarta.
Em Zapopan, cidade da região metropolitana que abriga o estádio que receberá jogos da Copa do Mundo, a percepção de insegurança também cresceu.
Na pesquisa mais recente, iniciada em 23 de fevereiro, um dia após a morte do líder do CJNG, 70% dos entrevistados disseram sentir-se inseguros — mais de 16 pontos percentuais acima dos mais de 54% registrados em dezembro. No primeiro trimestre de 2025, o índice era de 44,6%.
Já em Puerto Vallarta, embora a percepção de insegurança permaneça abaixo da média nacional de 61,5%, houve aumento significativo. A cidade turística apresentou o maior crescimento do país, saltando de 32% em dezembro para 59,9%, alta de quase 28 pontos percentuais.
Com 90,2%, Guadalajara ocupa o segundo lugar entre as cidades com maior percepção de insegurança no México, atrás apenas de Irapuato, em Guanajuato, onde o índice chega a 92,1%. O estado lidera, em 2026, o registro nacional de mortes violentas, com 413 vítimas de homicídios dolosos e cinco de feminicídio.
Entre as demais cidades-sede mexicanas da Copa do Mundo, o cenário varia. Na Cidade do México, a percepção de insegurança se manteve relativamente estável nas áreas próximas ao Estádio Banorte. Em Coyoacán, mais de 44% dos entrevistados relataram insegurança, queda em relação aos 47,2% de dezembro. Em Tlalpan, o índice subiu levemente, de 55,7% para 57,9%.
Por sua vez, em Monterrey, capital de Nuevo León, 59,7% dos entrevistados disseram se sentir inseguros, número inferior aos 67,4% registrados em dezembro. Na cidade de Guadalupe, onde fica o estádio local, a percepção caiu de 44,2% para 37% no mesmo período.

