A percepção de urgência para agir contra as mudanças climáticas caiu no Brasil, segundo pesquisa divulgada pela Ipsos. Em 2026, 70% dos entrevistados afirmam que é preciso agir imediatamente para evitar impactos às próximas gerações — uma queda de 7 pontos percentuais em relação a 2021.
O recuo segue uma tendência global. O estudo mostra que o desejo individual de agir diminuiu em todos os 26 países analisados desde 2021. Ainda assim, o Brasil foi o país com a menor queda nesse período.
Segundo a pesquisa, a mudança não indica desinteresse, mas sim uma transferência de responsabilidade. A população tem cobrado mais ações de governos e empresas no enfrentamento da crise climática.
“Os cidadãos estão, cada vez mais, buscando a liderança dos governos e das empresas, por entenderem que o peso da ação não pode recair apenas sobre os indivíduos. Nesse sentido, os dados nos mostram não uma história de indiferença, mas de exaustão e mudança de expectativas”, afirma Priscilla Branco, Diretora de Opinião Pública da Ipsos no Brasil.
Globalmente, 61% dos entrevistados concordam que é necessário agir agora. No Brasil, 71% avaliam que o país deveria fazer mais para combater as mudanças climáticas — acima da média mundial, de 59%.
O levantamento também aponta preocupação com os impactos do clima. A maioria dos entrevistados teme eventos extremos nos próximos anos, como ondas de calor, tempestades e secas.
A pesquisa ouviu mais de 23 mil pessoas em 31 países, incluindo cerca de mil entrevistados no Brasil.
Os países do G7 não se saem melhor: apenas 25% acreditam que seu país está na liderança do combate às mudanças climáticas (35% discordam).
O relatório destaca uma divisão sobre a percepção de que há um plano governamental claro para combater as mudanças climáticas: 32% dos entrevistados afirmam que seus governos não têm um plano, contra 30% que acreditam na existência de um. No Brasil, 33% acreditam que há um plano claro.

