Joaquim Evangelista, presidente do Sindicado dos Jogadores de Portugal, disse esperar que a suspensão de Gianlucca Prestianni por insultos homofóbicos a Vinicius Júnior se torne um exemplo para o futebol. Para o sindicalista, o comportamento é tão grave como o racismo.
Em declarações à Lusa, o Evangelista defendeu que o caso deve ser encarado como um alerta para todos. Na fala, ele reforçou que episódios de discriminação “não têm lugar no futebol”.
“Racismo, homofobia, xenofobia, violência, assédio ou doping merecem o nosso total repúdio. Quem tiver estes comportamentos tem de ser penalizado. O insulto homofóbico é tão grave quanto o racista”, disse.
Desde o início do processo, o sindicato defendeu a presunção de inocência do jogador e a necessidade de um apuramento célere dos factos, segundo ele, considerando que esses princípios foram respeitados pela UEFA.
“Era importante que houvesse um processo disciplinar com rapidez e rigor, e isso aconteceu. Temos de aproveitar estes casos para passar a mensagem de que estes comportamentos têm consequências e não são aceitáveis”, completou.
A punição
A Uefa anunciou nesta sexta-feira (24) que o argentino Gianluca Prestianni terá que cumprir uma suspensão de seis partidas pelo caso de racismo contra o atacante Vinicius Júnior, no duelo entre Benfica e Real Madrid, pela Champions League.
A decisão foi tomada pelo Comitê de Controle, Ética e Disciplina da entidade que comanda o futebol europeu. De acordo com o boletim do órgão, a suspensão se deu por “conduta discriminatória”, mais especificamente “homofobia”, já que o jogador declarou que se referiu a Vinícius como “maricón” (marica, em espanhol), e não “mono”, que seria macaco.
Além da punição para competições europeias, a Uefa informou que pedirá à Fifa a extensão da pena para torneios organizados pela entidade máxima do futebol. Dessa forma, Prestianni não poderia disputar as primeiras da Copa do Mundo caso seja convocado, por exemplo.
O argentino já cumpriu um jogo de suspensão, tendo ficado fora da partida de volta dos playoffs da Champions League, diante do Real Madrid, no Santiago Bernabéu.
A acusação
Gianluca Prestianni foi acusado por Vinicius Júnior de ter chamado o brasileiro de “macado” no jogo de ida, disputado no Estádio da Luz, em Lisboa. A transmissão da partida mostrou que o meia-atacante do Benfica encobriu a boca com a camisa durante o momento da discussão.
O argentino de 20 anos negou as acusações e, em nota no Instagram, se defendeu afirmando que “Vinicius Júnior infelizmente interpretou mal o que acredita ter ouvido.”
O Benfica não se posicionou sobre a suspensão de Prestianni até a publicação desta nota.
