Uma organização criminosa suspeita de movimentar cerca de R$ 30,5 milhões com tráfico de drogas e lavagem de dinheiro foi alvo de uma megaoperação interestadual deflagrada nesta sexta-feira (24) em Curitiba (PR), Itapema (SC) e Maceió (AL).
Segundo as investigações, a estrutura tinha sua principal base de atuação no bairro Parolin, em Curitiba. O esquema era chefiado por dois homens que já respondiam a outras condenações e lideravam a distância. Os suspeitos transferiram o cumprimento de pena do Paraná para Alagoas e continuaram na liderança.
“O afastamento geográfico serviu como um escudo para que coordenassem o narcotráfico remotamente e em liberdade, delegando o gerenciamento tático diário no bairro Parolin a outro integrante da organização”, destacou o delegado da PCPR, Ricardo Casanova.
Ao todo são cumpridos 41 mandados sendo eles 13 de prisão preventiva, 15 de busca e apreensão, e 13 ordens de bloqueio e sequestro de ativos financeiros.
A operação conta com cerca de 150 policiais e a atuação de helicópteros e cães de faro.
Até o momento da publicação da reportagem, cerca de 11 pessoas foram presas e R$ 17,3 mil em espécie e 149 dólares, uma pistola calibre 9mm e oito veículos foram apreendidos.
Entenda a investigação
A investigação teve início em junho de 2025 e busca desarticular um esquema milionário de lavagem de dinheiro e tráfico de drogas.
Segundo a Polícia Civil, este grupo conseguiu se consolidar após neutralizar a organização rival em um conflito armado e conseguir ter o domínio territorial do bairro Pairolin.
Desde 2018 até 2025, eles movimentaram aproximadamente R$ 30,5 milhões com lucros provenientes de narcotráfico. Esse montante também sustentava a vida de luxo das lideranças.
Para ocultar a origem ilícita dos milhões arrecadados, a organização operava um esquema de lavagem de dinheiro que incluía familiares, esposas e empresas de fachada.
“O capital era inserido no sistema financeiro por meio de depósitos em espécie fracionados feitos em caixas eletrônicos e lotéricas. Após a compensação financeira, os valores eram transferidos a inúmeras contas de passagem, que recebiam aportes milionários e eram esvaziadas rapidamente para dificultar o rastreamento”, destaca o delegado da PCPR Ricardo Casanova.
Em uma outra operação recente, a polícia encontrou uma “casa cofre” no no bairro Sítio Cercado, na capital paranaense, apreendendo R$ 493.879 em espécie, máquinas de contagem de cédulas e porções de crack, cocaína e maconha.
Além do tráfico, a investigação aponta que o grupo está relacionado a diversos homicídios, entre eles está a morte de um líder de uma organização criminosa rival e de seu filho.
“Desde 2024, verificamos várias ocorrências de crimes contra a vida no bairro. As apurações de cada um deles nos mostraram que as motivações estavam ligadas ao tráfico de drogas, especificamente a uma disputa entre dois grupos que visavam controlar a atividade criminosa naquela região. A partir deste mapeamento, identificamos a necessidade de expandir a investigação para além da Delegacia de Homicídios e iniciamos a troca de informações com a Denarc e com a inteligência da Polícia Militar”, explica o delegado da PCPR Ivo Viana.
Veja imagens da operação:

*Sob supervisão de AR.

