Em entrevista ao CNN 360°, o presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), Paulo Skaf, criticou a possível intervenção do governo na escala de trabalho 6×1 e defendeu maior liberdade para as empresas atuarem.
Skaf defendeu que o governo deveria interferir menos na economia e nas decisões empresariais. “A melhor ajuda que o governo pode fazer é não atrapalhar a economia, é controlar os seus gastos, evitar de desperdiçar, controlar a corrupção”, disse, acrescentando que “esse paternalismo a sociedade não precisa”.
Ao comentar sobre a possibilidade de compensação fiscal para empresas afetadas pela mudança na jornada de trabalho, Skaf foi enfático: “Se o governo cuidasse dele, já seria tão bom. Esse governo que fala tanto em ajudar, em fazer, é o mesmo governo que estoura as contas todo ano, que dá déficit primário, que dá déficit nominal, que deve R$ 10 trilhõe”.
O presidente da Fiesp criticou os altos juros praticados no Brasil, que segundo ele comprometem a competitividade das empresas. “Juros finais de 25, 30% ao ano, com inflação de 5, juros de 25, 30, é 5, 6 vezes os juros. Nenhum setor, nenhuma empresa se sustenta e aguenta e tem a competitividade nenhuma parte do mundo dessa forma”, afirmou.
Sobre a discussão específica da escala 6×1, o presidente da Fiesp argumentou que a maior parte das empresas que utilizam esse modelo são grandes, e não pequenas como o governo sugere. Ele também alertou para o risco de aumento da informalidade com mais regras rígidas: “Um país tem 44 milhões de empregos informais. Nós vamos criar dificuldades nos empregos formais para haver migração para maior informalidade?”
Defesa da liberdade de negociação
Durante a entrevista, Skaf questionou o engessamento da escala de trabalho por meio de legislação. “Em país nenhum do mundo, escala de trabalho está em Constituição Federal. Eu quero saber qual é o país do mundo que a Constituição fala como deve trabalhar os setores e os trabalhadores. Isso é liberdade”, argumentou.
O presidente da Fiesp também defendeu o princípio da reforma trabalhista, que segundo ele é “deixar menos legislar e mais negociar”. Para Skaf, o caminho deveria ser “o negociado tomar o espaço legislado”, e não o contrário, como ele acredita estar ocorrendo com as discussões sobre mudanças na jornada de trabalho.

