O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, criticou a forma como o governo federal tem conduzido as discussões sobre o possível fim da escala de trabalho 6×1. Em entrevista à CNN Brasil nesta sexta-feira (24), Skaf classificou a abordagem do governo como não transparente.
Segundo o presidente da Fiesp, o Estado não tem estrutura financeira para intervir em questões trabalhistas. “O governo não tem nem estrutura, ele é um endividado para ficar falando em ajudar aqui ou ali. Esse paternalismo, a sociedade não precisa”, afirmou.
Skaf destacou que, ao contrário do que se argumenta, a escala 6×1 é predominante em grandes empresas, não em micro e pequenas. “Ele deveria saber que a maior parte das empresas que tem 6×1 são as grandes empresas, não são as micro, pequenas empresas. Então, sempre a discussão do governo não é transparente”, pontuou.
Liberdade de negociação
O presidente da Fiesp defendeu maior liberdade nas negociações trabalhistas, alertando que o engessamento das relações de trabalho pode levar à informalidade. “Exatamente com esses engessamentos, acaba o trabalhador querendo fazer e como está engessado por lei, acaba entrando no campo da informalidade”, explicou.
Em sua argumentação, Skaf questionou a inclusão de escalas de trabalho na Constituição Federal. “Em país nenhum do mundo, escala de trabalho está em Constituição Federal. Eu quero saber qual é o país do mundo que a Constituição fala como devem trabalhar os setores e os trabalhadores”, indagou.
O presidente da entidade reforçou que o princípio da reforma trabalhista deveria ser priorizar a negociação em vez da legislação. “O princípio da reforma trabalhista é deixar menos legislar e mais negociar. É o negociado tomar o espaço legislado. O que nós estamos fazendo aí é engessar até a escala de trabalho. É um absurdo”, concluiu.

