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Celulares roubados impulsionaram em 340% crime digital no país, diz estudo

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 3 horas)
Celulares roubados impulsionaram em 340% crime digital no país, diz estudo

O roubo de celular deixou de ser apenas um crime patrimonial para se tornar uma espécie de “arma” utilizada pelos criminosos no mundo virtual. Apenas em 2025, golpes envolvendo aparelhos subtraídos cresceram em cerca de 340% no Brasil.

O dado faz parte do relatório Digital Banking Fraud Trends in Latin America 2026, da empresa de segurança digital BioCatch, obtido com exclusividade pela CNN Brasil. A pesquisa analisou informações de 36 instituições financeiras e mais de 300 milhões de clientes da companhia no país.

Em entrevista à CNN Brasil, Diego Baldin, especialista em segurança digital e diretor de Global Advisory da BioCatch para a América Latina, explicou como os criminosos aproveitam da tecnologia para realizarem as fraudes. Segundo ele, os indivíduos entram no aparelho da vítima, roubam dados, dinheiro e até aplicam outros golpes se passando pela própria pessoa lesionada.

O celular deixou de ser só um aparelho e virou o principal ponto de acesso à vida financeira do usuário. Em um ambiente em que o mobile concentra grande parte das operações bancárias, o controle físico do dispositivo dá ao criminoso uma vantagem enorme. O problema não está apenas na senha em si, mas na posse do dispositivo e no controle do ambiente de acesso.”

Diego Baldin, especialista em segurança digital e diretor de Global Advisory da BioCatch para a América Latina

Quando olhado para golpes de personificação — quando criminosos se passam por bancos e empresas para atraírem as vítimas — somente no Brasil, essas fraudes aumentaram em cerca de 140%.

O avanço dos golpes de personificação no Brasil é resultado de uma combinação de fatores. Primeiro, a digitalização bancária com forte predominância do celular nas transações. Segundo, os criminosos passaram a explorar melhor a confiança do usuário para induzir a vítima. Terceiro, os bancos evoluíram bastante em autenticação, biometria e controles de acesso. Isso não elimina a fraude, mas torna a invasão tradicional mais difícil.

Diego Baldin, especialista em segurança digital e diretor de Global Advisory da BioCatch para a América Latina

Além disso, criminosos utilizam as “voice scams”, ou seja, golpes por ligação em que ele se passa por funcionário do banco e convence o cliente a autorizar transferências. O estudo aponta que essa ação aparece como “legítima” para o banco, pois foi autorizada pelo próprio cliente. Este é um dos principais pontos da discussão da pesquisa, pois envolve tecnologia e segurança bancária.

Dados globais; entenda

O estudo também analisou dados de toda a América Latina. No ranking, México e a Argentina lideram o ranking da maior porcentagem de golpes, perdendo apenas para o Brasil, que continua no topo.

O mercado argentino registrou cerca de 183% de golpes de engenharia social. Por outro lado, no território mexicano, as tentativas de invasão de contas aumentaram em 311%, as de engenharia social 150% e fraudes digitais em 234%.

A fraude de engenharia social é uma técnica de manipulação psicológica usada pelos criminosos para manipular e obter informações confidenciais. Já golpes digitais acontecem quando criminosos utilizam plataformas e redes sociais para obter vantagens financeiras de forma ilícita.

Segundo Baldin, para conseguir frear essas falsificações, é necessário compartilhar informações de inteligência entre as instituições e educar a população para ficar atenta a esse tipo de crime: “No fim, frear essas fraudes exige combinar tecnologia, coordenação entre instituições, resposta regulatória e educação do usuário. Sem isso, a defesa continua fragmentada enquanto o crime segue operando de forma adaptativa”, concluiu.

*Sob supervisão de Felipe Andrade

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