Os contratos futuros de trigo encerraram a sessão desta quarta-feira (23) em alta na Bolsa de Chicago. O vencimento para julho avançou 2,14%, cotado a US$ 6,2025 por bushel.
O movimento foi sustentado por preocupações climáticas nos Estados Unidos, especialmente nas regiões produtoras de trigo de inverno. As condições das lavouras nas Grandes Planícies do Sul seguem deterioradas devido à falta de umidade, o que mantém o mercado atento ao potencial produtivo da safra.
Segundo a Granar, as chuvas esperadas para os próximos dias podem chegar tarde demais para reverter as perdas já observadas, elevando as incertezas sobre o volume final da colheita. O cenário é agravado pela menor área plantada de trigo nos EUA desde 1919.
No campo da demanda, uma licitação da Arábia Saudita para a compra de 710 mil toneladas de trigo também deu suporte às cotações ao longo da sessão, reforçando o interesse internacional pelo cereal.
Apesar do avanço, analistas destacam que a concorrência com o milho e o possível racionamento da demanda podem limitar uma trajetória mais consistente de alta nos preços.
Milho
O contrato futuro de milho para entrega em julho encerrou a sessão desta com leve alta de 0,22% na Bolsa de Chicago, cotado a US$ 4,6375 por bushel.
Segundo a Agrinvest, o mercado operou de forma mais estável, encontrando suporte no avanço dos preços do trigo ao longo do dia.
A Granar destacou que o milho completou a quarta sessão consecutiva de ganhos em Chicago, sustentado pelo bom ritmo das exportações dos Estados Unidos. No campo climático, chuvas significativas foram registradas na região oeste do Cinturão do Milho e da Soja, com destaque para Iowa, principal estado produtor do cereal.
A previsão indica, no entanto, uma janela de tempo mais seco entre sexta-feira e sábado, o que tende a favorecer o andamento do plantio na principal região produtora de grãos dos EUA.
Soja
Os contratos futuros de soja encerraram a sessão em queda na Bolsa de Chicago. O vencimento para julho recuou 0,40%, sendo negociado a US$ 11,7475 por bushel.
A pressão sobre os preços esteve ligada ao avanço dos negócios de soja na América do Sul, com destaque para embarques da Argentina destinados à China. As operações, segundo o mercado, não competem diretamente com o Brasil, mas acabam reduzindo a demanda adicional pelo produto norte-americano.
De acordo com a Agrinvest, cerca de sete navios foram negociados para embarque em junho e julho, com preços mais competitivos em relação à soja dos Estados Unidos. Esse movimento tende a atender parte das necessidades de abastecimento chinesas no curto prazo.
Com isso, diminui a expectativa de novas compras da safra antiga norte-americana pela China, o que retirou suporte das cotações em Chicago ao longo da sessão.
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