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SRB pede suspensão por 90 dias de dívidas do crédito rural

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 5 horas)
SRB pede suspensão por 90 dias de dívidas do crédito rural

A SRB (Sociedade Rural Brasileira) pediu ao Ministério da Agricultura a suspensão por 90 dias dos vencimentos de crédito rural de custeio e investimento, em meio ao aumento do endividamento no setor e ao avanço dos pedidos de recuperação judicial no agronegócio.

A entidade afirma estar preocupada com o cenário de endividamento e com as dificuldades de acesso ao crédito, citando como fatores centrais os custos elevados de produção, a instabilidade dos preços das commodities, os juros altos e a falta de mecanismos eficientes de mitigação de risco, como o seguro rural.

O pleito foi formalizado em ofício entregue pelo presidente da entidade, Sérgio Bortolozzo, ao ministro da Agricultura, André de Paula.

A entidade também chama atenção para o crescimento dos pedidos de recuperação judicial no campo. Em 2025, o agronegócio brasileiro registrou 1.990 solicitações, segundo levantamento da Serasa Experian. O número é o maior desde o início da série histórica em 2021, quando foram 193 casos, representando alta de 56,4 por cento em relação ao ano anterior e maior concentração na região Centro-Oeste.

No documento, a SRB sustenta que o quadro atual exige medidas emergenciais. “É essencial que, neste momento, sejam suspensos os vencimentos de créditos de custeio e de investimento por um período de 90 dias ou até que medidas do Poder Executivo ou do Poder Legislativo sejam aprovadas e entrem em vigor no arcabouço jurídico brasileiro”, afirma a entidade.

Além da questão do endividamento, a SRB também critica mudanças recentes nas regras de concessão de crédito rural. Desde 1º de abril de 2026, instituições financeiras que operam com recursos controlados ou direcionados passaram a ser obrigadas a consultar dados do PRODES/INPE antes da liberação de financiamentos para imóveis com mais de quatro módulos fiscais. Para propriedades menores, a exigência passa a valer em janeiro de 2027.

A entidade reconhece o objetivo da norma, que é evitar o financiamento de atividades associadas ao desmatamento ilegal, mas questiona o modelo adotado. “O objetivo é legítimo, mas o problema está no método escolhido”, afirma a SRB.

Segundo o posicionamento, as Resoluções CMN nº 5.193/2024 e nº 5.268/2025 criaram um sistema em que o produtor passa a ser tratado como potencialmente irregular até que prove o contrário junto às instituições financeiras, com base em imagens de satélite.

“A vinculação entre crédito rural e conformidade ambiental tem respaldo legal e importância econômica, além de atender às exigências internacionais. O problema não é o objetivo, mas a forma de implementação”, destaca a entidade.

A SRB propõe dois ajustes principais na norma, sendo o primeiro é que o PRODES (Projeto de Monitoramento do Desmatamento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite) seja utilizado como ferramenta de triagem para acionar a verificação por órgãos ambientais competentes, e não como base direta para bloqueio de crédito.

O segundo é que o prazo de resposta ao produtor seja compatível com o ciclo agrícola, com procedimentos simplificados para propriedades sem histórico de embargo.

A entidade também defende maior diálogo com o governo federal. “Recomenda-se que o Ministério da Agricultura ouça as recomendações do setor produtivo, buscando a integração entre as necessidades dos produtores rurais”, afirma o documento.

A reportagem procurou o Ministério da Agricultura para comentar o pedido da Sociedade Rural Brasileira, mas não obteve resposta até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto para manifestação.

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