O Governo do Estado de São Paulo lançou um edital que propõe o pagamento de até R$ 36 mil por produtor rural e R$ 250 mil para organizações para conservar a araucária. O incentivo é voltado à espécie ameaçada de extinção e que pode perder seu habitat até 2070 devido à extração ilegal e às mudanças climáticas.
Anunciado em Cunha (SP), região do Vale do Paraíba, o Pagamento por Serviços Ambientais Araucária (PSA Araucária) da Fundação Florestal, órgão vinculado à Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo (Semil), pretende estimular a restauração, o uso sustentável e a cadeia produtiva do pinhão no estado.
Também serão realizadas ações de restauração ambiental, uso sustentável dos recursos naturais e geração de renda para comunidades locais. “Este edital reforça o compromisso do Governo de São Paulo com soluções inovadoras de conservação, que integram proteção ambiental, desenvolvimento sustentável e geram valor de mercado e renda no território”, destaca Natália Resende, secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo.
O município de Cunha se destaca como o maior produtor de pinhão no Estado de São Paulo. Dados da Semil mostram que no acumulado de 2023 a 2025, foram coletadas pelos produtores rurais da região mais de 1.100 toneladas de sementes. Para 2026, a estimativa de colheita é que fique acima de 368 toneladas.
O lançamento do edital ocorreu na 16ª Exposição do Pinheiro Brasileiro de Cunha, onde reúne produtores que coletam pinhão há gerações. Entre eles está Ademar Monteiro, que se dedica à atividade há décadas. Ele conta que colhe pinhão desde a época de seu pai e que já faz quase 40 anos que vive disso. “O projeto vai ser bom porque o pinhão tem muito valor na nossa região. O problema é a mão de obra; as árvores envelhecem e é preciso estimular o plantio”, diz
Monteiro reforça o valor econômico da atividade e a importância do projeto. Segundo ele, o pinhão é a principal fonte de renda para o produtor da região e ele mesmo possui cerca de 70 árvores de pinheiro em seu terreno.
Economia verde
O PSA Araucária vai incentivar o desenvolvimento sustentável local e fortalecer a cadeia produtiva do pinhão. Diferente da coleta do pinhão, que pode ocorrer sem prejuízo ao ecossistema, o corte da araucária é altamente restrito, já que a espécie foi explorada por anos de forma excessiva e não sustentável.
Dessa forma, o programa de Pagamento por Serviços Ambientais incentiva a bioeconomia à medida que oferece recursos aos produtores e organizações que se comprometerem com ações como conservação de araucárias pré-existentes, plantio de mudas, restauração de áreas de preservação permanente e implantação de pomares.
“Assim como os outros programas de PSA da Fundação Florestal, a proposta é trazer soluções sustentáveis e sociais dentro do meio ambiente, com um olhar atento à conservação de uma espécie essencial para a Mata Atlântica com o apoio das próprias comunidades locais”, explica Rodrigo Levkovicz, diretor-executivo da Fundação Florestal.

