A economista e advogada Elena Landau criticou o plano de reestruturação dos Correios, classificando-o como insuficiente para resolver os problemas estruturais da estatal.
Em entrevista ao CNN Money, Landau comentou sobre o prejuízo de R$ 8,5 bilhões registrado pela empresa em 2025 e a queda de 11% na receita bruta em comparação com o ano anterior.
Segundo Landau, o plano atual não conseguirá reverter a situação financeira da empresa devido ao peso herdado do passado.
“Desde o momento que foi anunciado o plano de reestruturação, a gente sabia que ele não ia ter um impacto significativo nas contas dos Correios”, afirmou.
A especialista destacou o descasamento entre as dívidas acumuladas, incluindo quase R$ 1 bilhão só em juros, e as medidas de reestruturação que são implementadas de forma muito lenta.
“Ainda que o plano pudesse dar certo, vender imóveis, fechar agência, reestruturar as linhas de entrega, tudo isso dava muito tempo frente a uma empresa que estava com um prejuízo bilionário”, explicou.
Empréstimos com garantia do Tesouro
Um dos pontos críticos apontados por Landau é o recurso a empréstimos com garantia do Tesouro Nacional.
“Pegou um empréstimo com garantia de Tesouro que os bancos que emprestaram sabem que o Correios não vão honrar e isso vai acabar sendo gasto financeiro, despesa financeira mais à frente”, alertou.
A especialista também chamou atenção para a falta de um plano efetivo para o futuro da empresa.
“O que falta no plano de reestruturação é o plano de fato para o futuro da empresa”, disse Landau, acrescentando que é necessário definir claramente o que se espera dos Correios num cenário de forte concorrência e avanços tecnológicos.
Landau apontou que a venda de imóveis e o PDV (Programa de Demissão Voluntária) ficaram muito aquém do esperado.
“Os juros vão continuar crescendo, novos empréstimos terão que ser feitos. Então, vai ficar uma bola de neve e o cachorro sempre correndo atrás do rabo”, comparou.
A especialista defendeu uma discussão mais ampla sobre o papel dos Correios, questionando: “Você quer manter a questão postal? Você quer continuar entregas? Você vai vender uma parte?”.
Ela lembrou que, embora a Constituição preveja a universalização do serviço postal, isso não significa necessariamente um monopólio da União, podendo haver delegação ou concessão do serviço.
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