A próxima safra de arroz no Rio Grande do Sul começa a ser planejada em um cenário de incertezas. O presidente da Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), Denis Dias Nunes, projeta dificuldades significativas, impulsionadas principalmente pelo acesso restrito ao crédito, juros elevados e pela queda do dólar.
Segundo Nunes, o setor pode manter ou até reduzir a área de plantio na próxima temporada. A avaliação considera o aumento do endividamento dos produtores, que já iniciam o novo ciclo com preços considerados baixos. “Apesar de uma recente recuperação nos valores, muitos agricultores têm optado por reter a produção à espera de melhores cotações”, observa.
Lentidão na colheita
Outro fator que está influenciando a decisão dos produtores é o ritmo lento da colheita atual, que resultará em uma comercialização mais cautelosa. Nunes destaca que no início da safra houve forte volume de exportações, garantindo entrada de recursos. Com isso, neste momento não há necessidade de venda imediata do arroz recém colhido. “Além disso, com a proximidade da colheita da soja, a tendência é que produtores utilizem essa soja para gerar caixa, postergando a venda do arroz na expectativa de preços mais favoráveis”, projeta.
As exportações estão sendo estratégicas para reduzir os estoques internos e sustentar os preços. No entanto, a indefinição quanto aos custos de produção é um ponto de atenção entre os produtores. O presidente da Federarroz destaca que os preços dos fertilizantes permanecem elevados, influenciados pela guerra entre Estados Unidos e Irã e pela valorização de insumos como petróleo e combustíveis.
Esse cenário, de acordo com o dirigente, deve impactar diretamente tanto a área plantada quanto o nível de tecnologia empregado nas lavouras. “A queda do dólar, embora possa aliviar parcialmente os custos de importação de insumos, também tende a reduzir a competitividade das exportações de arroz e soja, pressionando a rentabilidade do produtor. Diante de tudo isso, a próxima safra é ainda uma incógnita, o que exige cautela e acompanhamento atento do mercado ao longo dos próximos meses”, orienta.
De acordo com levantamento de abril da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), na safra 2025/26 a produção de arroz somou 11,1milhões de toneladas, em queda de 13% sobre a safra anterior. A queda reflete a redução, também de 13%, na área de cultivo, que se situou em 1,53 milhão de hectares.

