O debate sobre a compensação financeira para o setor produtivo tornou-se o ponto central das discussões sobre o fim da escala 6×1 no Congresso Nacional. Após a aprovação simbólica na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), sem necessidade de contagem de votos, as negociações avançam para uma nova fase, onde a questão da contrapartida econômica ganha protagonismo.
O setor produtivo tem deixado claro que não deseja sair “de mãos abanando” com a mudança na legislação trabalhista. Segundo relatos obtidos por Isabel Mega, analista de Política da CNN, representantes desses setores estão utilizando a posição contrária ao fim da escala 6×1 como estratégia de pressão para que o governo federal ceda e ofereça algum tipo de compensação financeira. “Eles afirmam que podem entregar muito e que, por conta disso, precisam de uma compensação”, afirmou Isabel em sua participação no Bastidores CNN. “Essa é a palavra que resume tudo — compensação.”
A oposição já começou a articular propostas específicas para atender às demandas do setor produtivo. Entre as sugestões apresentadas estão a implementação de um período máximo possível para regras de transição e o debate sobre pagamento hora por hora para compensar a redução da jornada de trabalho. Sóstenes Cavalcante, líder do PL na Câmara, foi um dos parlamentares que condicionou seu apoio à proposta à existência de algum tipo de compensação para os setores produtivos.
Comissão Especial será palco de embates
A próxima etapa da tramitação ocorrerá em uma Comissão Especial, que deverá ser o principal campo de batalha para definir os termos de uma possível compensação. O tema ganhou relevância por seu apelo popular, o que dificulta posicionamentos contrários por parte dos parlamentares em um momento de exposição pública.
O governo também exerce pressão para que o tema avance, vislumbrando a possibilidade de capitalizar eleitoralmente com a aprovação da medida. No entanto, a grande incógnita que permanece é se será possível aprovar alguma mudança na escala de trabalho sem oferecer compensações ao setor produtivo, considerando o forte lobby que esses grupos exercem junto aos parlamentares. “A pergunta que fica no ar é: sem compensação, é possível passar algo no Congresso Nacional?”, pontua Isabel.
