Aqueles nascidos a partir de 1º janeiro de 2009 estão proibidos para sempre de comprar cigarros no Reino Unido. Parlamentares do país aprovaram na tarde desta quarta-feira (22) a nova lei, que deve receber sanção real na próxima semana e criar a primeira geração livre do fumo.
O governo afirma que a medida vai ajudar a reduzir o tabagismo e a impedir que os jovens se tornem viciados em nicotina, aliviando a pressão a longo prazo sobre o NHS, Serviço Nacional de Saúde britânico. Em setembro de 2025, as Maldivas também proibiram o fumo aos nascidos a partir de 1º de janeiro de 2007.
Médicos ouvidos pela CNN Brasil afirmam que a proibição vitalícia é uma estratégia promissora e com potencial de mudar a cultura do tabagismo no país a longo prazo. “Isso pode fazer com que fumar deixe de ser um comportamento socialmente aceito e passe a ser cada vez mais raro”, afirma o cardiologista Marcelo Bergamo.
Menos fumantes, menos casos de infarto, menos pressão no sistema de saúde inglês, já que o tabagismo é um dos principais fatores de risco para doenças cardiovasculares.
O Projeto de Lei sobre Tabaco e Cigarros Eletrônicos do Reino Unido prevê também o aumento da idade legal para a compra de tabaco em um ano a cada ano.
O tabagismo causa mais de sete milhões de mortes por ano em todo o mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde.
Os cigarros eletrônicos também entraram na mira do Reino Unido. Os vapes são consumidos por cerca de 10% dos adultos no país, de acordo com a organização beneficente de saúde Action on Smoking and Health.
A lei quer proibir a venda de cigarros eletrônicos e produtos com nicotina para menores de 18 anos. A nova legislação também pode minar a iniciação precoce ao vício em cigarros.
“Sabemos que a maioria dos fumantes começa antes dos 18 anos, então impedir esse acesso pode reduzir drasticamente o número de novos dependentes de nicotina ao longo do tempo. Com o passar das décadas, isso pode levar a uma redução significativa da prevalência de fumantes”, diz a endocrinologista Fernanda Parra.
E no Brasil, seria viável implementar a mesma medida?
Os especialistas dizem que a proposta seria difícil, mas não impossível. O país já teve avanços importantes no combate ao tabagismo com campanhas educativas, restrições de propaganda e a criação de ambientes livres do fumo.
No entanto, uma medida que proíba a venda de cigarros com base no ano de nascimento exigiria fortes mudanças legislativas e mais fiscalizações.
“Seria necessário também considerar fatores como o comércio ilegal de cigarros, que ainda é expressivo no país, e desigualdades socioeconômicas que dificultam a aplicação uniforme da lei”, destaca Fernanda. “Por outro lado, se combinada com educação em saúde e campanhas de conscientização, essa estratégia poderia acelerar ainda mais a redução do tabagismo no Brasil.”
Junto a isso, o cardiologista Bergamo ressalta que seria necessário pensar em mais formas de conscientizar a população e em políticas de incentivo a quem quer parar de fumar. “Do ponto de vista médico, qualquer ação que reduza o número de fumantes é extremamente positiva, porque o impacto no coração é direto e acumulativo ao longo dos anos.”
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