O alto grau do endividamento das famílias brasileiras está no centro do debate público, com diversas pesquisas mostrando o nível alarmante da situação e as consequências para a economia.
Em entrevista ao CNN Money nesta quarta-feira (22), Katherine Henning, pesquisadora associada do FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas), apontou que o problema é mais grave entre as famílias de baixa renda.
“Os números indicam que há um endividamento maior das classes mais baixas nas modalidades de crédito, que têm uma taxa de juros muito alta. São modalidades sem garantia e por isso a taxa cobrada é mais alta”, afirma.
A pesquisadora destacou que cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal não consignado podem ser as principais armadilhas.
“O cartão de crédito é um meio de pagamento para ser pago no mês seguinte. Quando as pessoas não pagam no vencimento e rolam ou parcelam o saldo junto à instituição financeira ou no rotativo, a taxa de juros é muito alta”, explica.
Segundo Henning, o problema não é o crédito em si, mas sim o uso inadequado, sobretudo com a falta de planejamento e conhecimento sobre as diferentes modalidades disponíveis.
“A existência de crédito e o fato das pessoas físicas poderem dispor dele para realizar seus planos de médio e longo prazo é positivo”.
Educação financeira como solução
A especialista defende que e a educação financeira é fundamental para reverter esse quadro. “É um processo de longo prazo, de aprendizado e da gestão das contas privadas.”
“Tal como o governo tem que gerir suas contas públicas com orçamento, sabendo quanto ganha e onde gasta, as pessoas físicas e as famílias também devem saber quanto ganham, onde gastam e fazer as melhores decisões”, afirma.
Henning alerta que o alto endividamento tem implicações macroeconômicas. “Quando você estica muito a alavancagem das famílias, no caso de haver uma desaceleração da economia e uma desalavancagem não ordenada, você vai ter implicações em termos de capacidade de consumo”, explica.
Ela lembra que isso ocorreu durante a recessão de 2014-2016, quando as famílias consumiram menos por estarem pagando dívidas anteriores.
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