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Deputados mais votados em SP em 2022 não disputarão eleição; entenda

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
Deputados mais votados em SP em 2022 não disputarão eleição; entenda

Eleitores de São Paulo poderão escolher novos nomes para a Câmara dos Deputados nas eleições de 2026, isso porque os parlamentares mais bem votados nas eleições de 2022 não irão disputar o pleito deste ano.

Nomes como Guilherme Boulos (PSOL), Carla Zambelli (PL) e Eduardo Bolsonaro (PL) — os mais votados no estado há quatro anos — ficarão de fora da corrida eleitoral.

Guilherme Boulos — (1.001.472 votos em 2022)

Boulos assumiu o ministério da Secretaria-Geral da Presidência em outubro de 2025 e não se descompatibilizou do cargo até o dia 4 de abril, data limite para chefes do Executivo renunciarem aos mandatos e conseguirem disputar as eleições de 2026.

Carla Zambelli (PL) – (946.244 votos em 2022)

No caso de Zambelli, a ex-deputada foi condenada por invasão ao sistema do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) e inserção de documentos falsos entre agosto de 2022 e janeiro de 2023.

A ex-parlamentar, que possui cidadania italiana, fugiu do Brasil no dia seguinte à emissão da sentença do STF (Supremo Tribunal Federal) e a ordem de prisão contra ela. A partir da mudança, ela foi encontrada na Itália e passou a ser considerada foragida da Justiça brasileira.

Atualmente, Zambelli está detida no presídio feminino de Rebibbia, em Roma, de onde pode ser extraditada e passar a cumprir pena em território brasileiro.

Eduardo Bolsonaro (PL) – (741.701 votos em 2022)

Filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Eduardo estava cotado para assumir uma vaga no Senado por São Paulo. No entanto, por morar nos Estados Unidos desde março de 2025, e não indicar um possível retorno ao Brasil, o PL, partido do ex-deputado federal optou por deixá-lo escolher quem vai concorrer à Casa Alta pela sigla.

Por permanecer fora do país, Eduardo teve o mandato cassado na Câmara dos Deputados por faltas. Além disso, ele enfrenta um processo administrativo na Polícia Federal e é réu em uma ação penal no STF, sob acusação de tentar atuar, do exterior, para interferir e influenciar o julgamento relacionado à trama golpista.

O que muda em São Paulo?

Para especialistas ouvidos pela CNN Brasil, a saída simultânea desses quatro nomes abre espaço para uma renovação no cenário político.

O cientista político Leonardo Paz Neves resume o momento e diz que “cada um deles foram potências eleitorais no passado, mas não vão concorrer por motivos distintos. O que eu acho que obviamente abre espaço para uma nova geração de potências eleitorais.”

Ele avalia que novos nomes devem surgir para ocupar esse espaço.

A gente vai começar a olhar agora outros nomes, talvez menos tarimbados, que possam efetivamente buscar um espaço mais potente nas eleições”, aponta o especialista.

Apesar da renovação, a dinâmica política deve permanecer igual, visto que a polarização continua sendo um ponto central.

“Eu acho que a polarização vai continuar e que a série desses atores não vai mitigar a polarização política. Acho que ela vai, sim, continuar entre conservadores e progressistas.”

Na mesma linha, o cientista político Leandro Consentino destaca que os votos não desaparecem — eles mudam de destino.

“Acho que a gente ainda vai ter um contexto de polarização. Essas próprias votações aí refletiam isso. Acho que elas tendem a acontecer de novo com outros personagens agora.”

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