Os preços do petróleo voltaram a beirar a casa dos US$ 100 nesta terça-feira (21) após escalada de tensão com a guerra no Oriente Médio, à medida que se aproxima o prazo final de cessar-fogo entre os Estados Unidos e Irã, e as perspectivas de negociação se mostram cada vez mais frágeis.
Mais cedo, o presidente norte-americano Donald Trump disse que espera continuar bombardeando o Irã caso os países não cheguem a um acordo até o prazo final da noite de quarta-feira (22).
Por volta das 15h15, o contrato mais líquido do petróleo Brent – referência internacional negociada na ICE (International Commodities Exchange) – era negociado a US$ 97,87, em alta de 2,53%. Na máxima do dia, o Brent para junho atingiu US$ 99,95.
Já o WTI (West Texas Intermediate) para maio, referência dos EUA, subia 2,81%, a US$ 92,15, chegando a atingir US$ 94,45 no pior momento do dia.
“O aumento do preço do petróleo nesses dois últimos dias deve-se ao final do prazo de cessar-fogo, que vai ser quarta-feira à noite. E muito provavelmente eles não vão chegar num acordo, tanto é que o JD Vance postergou a viagem para o Paquistão para entrar em novas negociações. Tudo indica que o cessar-fogo vai ser rompido, e se for rompido volta com a escalada que estava na guerra”, indica Roberto Dumas, professor do Insper e estrategista-chefe da GCB.
As análises sobre o cenário, considerando a conjuntura da guerra, passam a ser de curtíssimo prazo, segundo Cesar Queiroz, especialista de mercado e CEO da Queiroz Investimentos e Participações, que enfatiza a volatilidade e fragilidade das negociações e acordos.
“Conflitos bélicos mudam expectativas diariamente, elevam a volatilidade e tornam o mercado muito mais sensível a notícias e rumores. Foi exatamente isso que vimos com a recente alta do petróleo em meio às tensões no Oriente Médio”, pontua Queiroz.
“O foco imediato recai sobre o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de escoamento de petróleo do mundo. Mas o impacto não se limita a esse ponto. Outros corredores logísticos relevantes, como o Canal de Suez e a região de Bab-el-Mandeb, também entram no radar dos investidores. Quando há risco nessas rotas, toda a cadeia global sente: energia, transporte, frete, indústria e comércio exterior”, explica.
Escalada de tensão no Oriente Médio e perspectivas sobre negociação
O Irã anunciou na sexta-feira (17) que reabriria o Estreito de Ormuz durante o período de cessar-fogo, em meio às negociações entre o país e os Estados Unidos.
No final de semana, porém, as forças armadas do país persa disseram que restrições à passagem de navios iranianos pela via marítima estavam sendo impostas novamente pelos EUA, alegando “repetidas violações de confiança” por Washington no cessar-fogo. Desse modo, o Irã voltou a bloquear a passagem pelo estreito.
Um vídeo divulgado pelo Centcom (Comando Central dos EUA) mostra o momento em que a Marinha dos Estados Unidos realiza diversos disparos contra o navio cargueiro de bandeira do Irã chamado Touska, que tentou furar o bloqueio naval norte-americano no domingo (19).
O chanceler do Irã, Abbas Araqchi, disse ao seu homólogo paquistanês Ishaq Dar que as “contínuas violações do cessar-fogo” por parte dos EUA são um grande obstáculo para a continuidade do processo diplomático, segundo um comunicado do Ministério das Relações Exteriores do Irã de segunda-feira (20).
Em um comunicado publicado nesta terça, o Ministério condenou a apreensão do navio e exigiu a “libertação imediata da embarcação iraniana, de seus marinheiros, da tripulação e de suas famílias”.
Em outra incursão, forças norte-americanas abordaram um petroleiro sancionado na região do Indo-Pacífico, como parte de seus esforços para barrar embarcações que fornecem apoio ao Irã, informou o Pentágono em uma publicação no Facebook mais cedo.
Por sua vez, Trump afirmou em uma publicação na Truth Social nesta terça que o Irã violou o acordo de cessar-fogo “diversas vezes”.
Com a escalada de tensão, o Irã disse que “não há planos para segunda rodada de negociações” com os EUA.
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