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Guerra no Oriente Médio trava exportações e Brasil perde US$ 882 milhões

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 3 horas)
Guerra no Oriente Médio trava exportações e Brasil perde US$ 882 milhões

A escalada da guerra no Oriente Médio impactou o fluxo global de commodities agrícolas e custou ao Brasil ao menos US$ 882 milhões em exportações que deixaram de ser embarcadas para a região em março. Os envios de carnes e de soja ficaram 30% abaixo do que o mesmo mês de 2025, um impacto “bastante significativo”, segundo a especialista em economia internacional e professora da ESPM, Cristiane Mancini.

“As perdas repercutem de forma bastante negativa para a balança comercial brasileira. Em março, as exportações de carne suína caíram 59%, enquanto soja e carne de frango recuaram 25%”, destacou em entrevista ao CNN Agro News.

O conflito tem afetado rotas logísticas estratégicas, elevado os custos de frete e ampliado a insegurança comercial, com reflexos diretos sobre produtos como café, milho e açúcar — mercados em que países do Oriente Médio têm papel relevante como destino das vendas brasileiras. Diante do aumento do risco na região, seguradoras das cargas exportadas são um dos elos que podem contribuir para atenuar as perdas, frisou Mancini.

De acordo com a professora, muitas delas passaram a reavaliar coberturas de risco e custos para embarques, especialmente em áreas próximas a zonas de conflito ou rotas marítimas sensíveis, a fim de conter os gastos do exportador. “Há um esforço conjunto para oferecer alternativas que garantam o escoamento da produção brasileira, ainda que em condições mais restritivas”, disse.

A reconfiguração das rotas e da estratégia comercial do agronegócio brasileiro, tem feito o país acelerar a busca por novos parceiros para reduzir a dependência de mercados tradicionais como Irã, Arábia Saudita e Líbano, historicamente relevantes para produtos como carnes e grãos. Nesse redesenho, a Turquia desponta como uma das principais alternativas logísticas e comerciais.

O país tem assumido papel estratégico ao criar mecanismos de armazenamento e facilitar o trânsito de mercadorias brasileiras, funcionando como um hub regional em meio às incertezas geopolíticas. Esse movimento foi viabilizado após o Brasil conquistar certificações sanitárias que permitem a ampliação dos embarques, sobretudo de proteínas e grãos, garantindo maior segurança tanto no armazenamento quanto no transporte dessas cargas. Na avaliação de agentes do setor, a atuação turca tem sido central para sustentar o fluxo exportador em meio à crise.

Paralelamente, o Brasil também tem ampliado sua presença em outros mercados. Entre os 548 destinos atendidos pelo agronegócio nacional, países asiáticos como Vietnã e Singapura vêm ganhando relevância recente, com aumento das exportações, em uma estratégia clara de diversificação para mitigar riscos e preservar a competitividade das vendas externas.

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