A esquerda vive um impasse na definição do nome para o governo do Distrito Federal. De um lado, o pré-candidato Ricardo Cappelli (PSB) quer ser a figura para tentar derrotar a representante da direita brasiliense, Celina Leão. Do outro, Leandro Grass busca centralizar a candidatura pelo PT e não pretende ser vice em uma eventual composição com outros partidos.
A divisão ficou clara durante o lançamento da pré-candidatura à reeleição da senadora Leila do Vôlei (PDT). Os dois lados começaram o cabo de guerra ao reafirmar a candidatura e, ao mesmo tempo, pedir “unidade” ao campo progressista.
Ricardo Cappelli garantiu que seu partido, o PSB, terá candidato ao Palácio do Buriti. Ele também falou sobre a necessidade de ter uma frente “além da esquerda” para conseguir derrotar a chapa de Celina Leão.
“Nós defendemos a unidade, mas também defendemos uma frente ampla que não se resuma à esquerda. A esquerda sozinha não ganha eleição no DF. Precisamos conversar com o centro e até centro-direita que fazem oposição a Celina Leão. Eu confio que vá prevalecer o bom senso e a construção de uma unidade. Uma chapa de esquerda no DF é o caminho mais curto para uma derrota e coloca em risco a candidatura de Leila do Vôlei”, disse à CNN.
Do outro lado, Grass também destacou a necessidade de uma frente ampla que dialogue com diferentes setores da sociedade, mas bateu o pé e negou a possibilidade, nesse momento, de ser vice de Cappelli na chapa. O pré-candidato da federação PT/PCdoB/PV fez um aceno para que o PSB embarque na sua candidatura. Ele disse que, neste momento, não faz nenhum sentido que o campo se divida.
“Queremos que o PSB venha compor conosco uma frente democrática em defesa de Brasília. Podemos dialogar com outros partidos e ampliar, mas precisamos antes de uma unidade entre aqueles que têm uma convergência programática. Não faria nenhum sentido que esse campo se dividisse. Respeitamos a decisão de cada partido de lançar pré-candidatos, mas queremos unidade”, afirmou à CNN.
Grass também reforçou que o PSB já foi convidado formalmente para compor a chapa, mas ainda não sinalizou interesse. “Respeitamos o PSB se a decisão for manter uma pré-candidatura sozinha.”
Os dois estiveram no palco durante o evento do PDT e discursaram em sequência. Eles evitaram citar a disputa interna da esquerda, mas adotaram tom eleitoral, citaram o objetivo de reconstruir Brasília e falaram sobre a importância de enfrentar Ibaneis Rocha e Celina Leão. A unidade entre os dois também se deu no apoio à candidatura de Leila.
Nessa disputa, um fator decisivo pode ser o apoio de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O presidente tem falado sobre a estratégia de centralizar as candidaturas em torno de nomes fortes nos estados.
Na busca pelo apoio do presidente, Grass conta com o trunfo de compor a Federação Brasil Esperança. Ele também já tem experiência eleitoral por ter sido candidato do grupo de Lula na corrida ao governo do DF, em 2022. Ficou em segundo lugar e recebeu 434.587 votos (26,26%).
Já Cappelli tem a simpatia de Lula por ter atuado em um momento decisivo para o governo federal. Ele foi interventor federal do Distrito Federal durante os atos de 8 de janeiro de 2023. Depois, foi ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência de maneira interina quando Gonçalves Dias saiu do cargo.
No evento que marcou a sua pré-candidatura ao Senado, Leila também fez questão de pedir “pacificação”. Segundo ela, os partidos estão conversando e ainda há tempo para a definição de um nome.
“Temos a expectativa de pacificação, união dentro do campo e de formação de uma frente ampla. Não é uma frente de esquerda, é uma frente ampla. Ninguém tem a capacidade de se eleger se não dialogar com os partidos de centro. Mas estamos dialogando. Quero muito a pacificação. Temos tempo ainda para o diálogo buscando essa pacificação”, disse à CNN.

