A previsão de pisos de preço para a venda das terras raras produzidas pela mineradora Serra Verde é um dos pontos mais importantes do acordo de compra fechado com a americana USA Rare Earth, divulgado na última segunda-feira (20).
A operação será paga com US$ 300 milhões em dinheiro e 126,849 milhões de novas ações da USA Rare Earth, o que implica um valor de aproximadamente US$ 2,8 bilhões para a mineradora brasileira.
As discussões sobre a adoção de pisos de preço para minerais críticos vêm ganhando força em meio à tentativa dos Estados Unidos e aliados de reduzir a dependência da China nessas cadeias.
Na prática, se a cotação de mercado cair abaixo desse nível, o vendedor continua recebendo ao menos o preço previamente acertado em contrato.
Esse tipo de mecanismo é relevante porque reduz a exposição do produtor a momentos de forte baixa e dá mais previsibilidade à receita futura.
Essa previsibilidade é especialmente importante em setores marcados por forte concentração de oferta e de processamento.
A defesa de pisos de preço ganhou força porque governos e empresas do Ocidente avaliam que a oferta chinesa, vendida a níveis muito baixos, tem dificultado ou até inviabilizado novos projetos minerais fora da China.
A IEA (Agência Internacional de Energia) afirmou que as terras raras estão entre os minerais críticos com cadeias mais concentradas do mundo: a China responde hoje por cerca de 60% da produção global minerada de terras raras magnéticas, por mais de 90% do refino e por quase 95% da produção de ímãs permanentes.
É justamente nesse tipo de mercado que o piso de preço ganha valor.
Para um projeto mineral, isso faz diferença direta na conta.
Um empreendimento novo ou em expansão precisa convencer bancos, fundos e sócios de que terá condições de gerar caixa mesmo em cenários de mercado mais fracos.
O piso de preço ajuda justamente nisso: ele não elimina todos os riscos, mas cria uma proteção mínima de receita, melhora a modelagem financeira do projeto e tende a facilitar decisões de investimento e financiamento.
Essa lógica é particularmente relevante em cadeias que exigem muito capital e ainda tentam ganhar escala fora do principal polo dominante.
Além de proteger na baixa, esse tipo de cláusula costuma ser desenhado para preservar parte do ganho na alta.
Ou seja, o contrato pode funcionar como uma espécie de colchão, já que ele reduz o impacto de um tombo nas cotações sem necessariamente impedir que o produtor capture valor quando os preços sobem. Para o mercado, isso torna a receita menos imprevisível e diminui a percepção de risco comercial.
No caso da Serra Verde, o fato relevante da USA Rare Earth diz que o contrato de offtake de 15 anos prevê pisos de preço para neodímio, praseodímio, disprósio e térbio, além de cobrir 100% da produção da fase 1 desses elementos destinados a um veículo de propósito específico capitalizado por entidades do governo dos EUA e fontes privadas.

