O papa Leão XIV lamentou durante um evento em Angola, nesta segunda-feira (20), que muitas pessoas no mundo estão sendo “exploradas por autoritários e enganadas pelos ricos”.
Esse foi o exemplo mais recente de um novo estilo de discurso vigoroso que ele adotou em sua viagem por quatro países na África.
O primeiro papa dos Estados Unidos, que tem atraído a ira do presidente americano Donald Trump, disse aos fiéis em uma missa em Saurimo, perto da fronteira com a República Democrática do Congo, que a violência e a opressão vão contra a mensagem cristã.
“Toda forma de opressão, violência, exploração e desonestidade nega a ressurreição de Cristo”, declarou o pontífice, se referindo à crença central do cristianismo de que Jesus ressuscitou dos mortos após ser crucificado.
Sua visita a Angola marca a terceira etapa de uma viagem ambiciosa de 10 dias pela África, uma das mais complicadas já realizadas por um papa, com paradas em 11 cidades e vilas em quatro países, percorrendo quase 18 mil km em 18 voos.
Leão, que se tornou o líder da Igreja Católica em maio passado, manteve um perfil relativamente discreto nos primeiros 10 meses de seu papado, mas fez denúncias contundentes sobre guerra e desigualdade durante sua turnê pela África.
Ele também criticou repetidamente os líderes mundiais, sem citar nomes.
No sábado (18), o pontífice de 70 anos condenou a exploração de recursos naturais na África por “déspotas e tiranos”.
Na última quinta-feira (16), ele afirmou que o mundo estava “sendo devastado por um punhado de tiranos”.
O papa afirmou aos jornalistas no domingo (19) que seus discursos durante a viagem foram escritos há semanas e não foram dirigidos diretamente a Trump.
Ele criticou fortemente os ataques dos EUA e de Israel ao Irã, que começaram em 28 de fevereiro.

