O Palácio do Planalto vem reforçando o discurso contra as casas de apostas, de olho no ano eleitoral, e decidiu que o governo não entrará, por ora, no mercado de bets – movimento que poderia ocorrer por meio da Caixa Econômica Federal, estatal habilitada para atuar no segmento.
Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) veem nas bets um dos principais fatores para o endividamento no país, que é considerado um obstáculo para que medidas econômicas adotadas recentemente – como a ampliação da isenção do imposto de renda – chegue ao bolso da população.
Além disso, há a avaliação de que o discurso contra as casas de apostas encontra eco em parte conservadora e evangélica do eleitorado. O PT (Partido dos Trabalhadores) chegou a apresentar um projeto de lei que prevê o fim das bets na última semana.
Com a diretriz do governo, a Caixa não ingressará no segmento em 2026, segundo pessoas próximas ao tema.
O banco pagou cerca de R$ 30 milhões para a autorização provisória e registrou marcas para atuação junto ao Ministério da Fazenda ainda em 2024. Defensores do ingresso da estatal no mercado afirmam que – diferentemente dos demais players do segmento – a Caixa poderia reforçar ações para o jogo responsável e direcionar parte da arrecadação para políticas sociais.
A CNN procurou a Caixa Econômica Federal para comentar. O banco afirmou que “suas decisões estratégicas observam critérios técnicos, legais e de sustentabilidade, sempre em consonância com as diretrizes do governo federal”.
A estatal indicou ainda que “analisa constantemente, de forma responsável e alinhada ao ambiente regulatório, as oportunidades de atuação no mercado” e destaca que “obteve outorga legal que possui validade até 2029”.

