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Governo mira 700 mercados abertos para o agro até o fim do ano

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 9 horas)

O Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária) quer encerrar o atual mandato com cerca de 700 aberturas de mercado para produtos agropecuários brasileiros. A meta foi confirmada pelo secretário de Comércio e Relações Internacionais da pasta, Luis Rua, que vem conduzindo negociações em diferentes frentes, com foco em Ásia, África e América Central. Só na primeira quinzena de abril, o agronegócio abriu mercados para 29 produtos em 9 países.

São eles: Arábia Saudita, Etiópia, Vietnã, El Salvador, Azerbaijão, Jordânia, Angola, Peru e Filipinas. Com essa lista, desde o início do ano, o Brasil fechou acordo para atender 59 novos parceiros. Ao todo, são 594 mercados abertos para o agronegócio brasileiro desde 2023. O ritmo é quase três vezes superior ao registrado entre 2019 e 2022, quando foram 239 acessos conquistados em quatro anos.

Só no último ano e meio, foram feitas 346 aberturas, partindo de 248 quando Rua assumiu o cargo, e chegando ao patamar atual em quase seiscentos mercados alcançados.

“Essa semana a gente abriu nove, dez mercados pra frutas, do sul, do norte, do nordeste. E pra semana que vem, estamos na iminência de alguns acessos pras castanhas. Vamos chegar aos 700. Esse é o meu compromisso”, disse Rua ao CNN Agro.

Nesse contexto, a Ásia aparece como eixo central da expansão, tanto pela demanda por proteína quanto pela capacidade de absorver diferentes produtos — especialmente aqueles de menor consumo no mercado interno.

É nesse movimento que entra a abertura do Vietnã para miúdos bovinos e suínos — coração, fígado e rins — , considerada uma das negociações mais relevantes recentes. O secretário classificou a abertura como um “golaço”, ao destacar a dificuldade técnica desse tipo de acesso e o potencial de mercado.

“Quando a gente foi lá [No Vietnã] no ano passado, eles abriram a carne bovina, mas não abriram os miúdos. Agora, com o avanço das negociações e o envio de informações com priorização, eles liberaram tanto miúdos bovinos quanto miúdos suínos”, disse.

A abertura segue a autorização para carne bovina in natura, concedida pelo país asiático em março do ano passado, durante visita do presidente Lula. O Vietnã importou mais de US$ 3,5 bilhões em produtos agropecuários do Brasil em 2025.

Além do Vietnã, o Brasil também avançou recentemente em países como Etiópia — com abertura para carne bovina, suína e de aves — e El Salvador, ampliando o acesso de carne de frango processada.

E a ofensiva comercial deve continuar nas próximas semanas, com negociações já avançadas para novos produtos e destinos, incluindo mercados para castanhas e a ampliação do acesso para frutas.

Filipinas ampliam acesso

As Filipinas concentraram as novidades mais relevantes da semana. O país autorizou a exportação de carne bovina resfriada do Brasil — produto que antes não podia ser enviado — e concluiu a reabertura do mercado de carne com osso, que havia sido suspensa temporariamente por uma pendência documental.

A nota oficial filipina foi publicada na quarta-feira (16), com prazo de 14 dias para a medida entrar em vigor. Além disso, as Filipinas reduziram em mais da metade a tarifa sobre a gordura bovina brasileira, insumo com forte demanda local.

“A gente conseguiu carne resfriada para as Filipinas, que a gente não podia mandar. Também teve a concretização da carne com osso, que já tinha sido aberta, mas voltou por uma questão de documentação específica e agora está tudo certo. E teve a redução da tarifa da gordura bovina, que caiu mais da metade. É um insumo super importante lá”, afirmou.

O pacote inclui a entrada em um segmento de maior valor agregado, a regularização de um acesso já existente e ganho de competitividade via tarifa — um modelo que o governo tenta replicar em outros mercados.

Paralelamente às negociações, o secretário cumpre agenda internacional voltada à abertura e consolidação de mercados na próxima semana.

Ele participa de uma feira de pescados em Barcelona e segue para reuniões em Paris com organismos multilaterais, como a Organização Mundial de Saúde Animal e a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, além de encontros bilaterais com países como o Canadá, voltados a temas sanitários e feira de agro no país norte-americano.

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