Ao identificar o uso em excesso de imagens de IA (inteligência artificial) por apoiadores, a campanha do pré-candidato à Presidência, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), decidiu realizar um ensaio fotográfico para suprir a falta de imagens atualizadas do parlamentar.
Segundo apuração da CNN, o diagnóstico da equipe é de que muitas publicações nas redes sociais utilizaram apenas representações digitais, em vez de fotos reais.
Criadas artificialmente, as imagens de IA são capazes de reproduzir, de maneira realista, a aparência de pessoas em situações inéditas. O uso desse tipo de tecnologia tem se popularizado nas redes sociais com plataformas como o ChatGPT e o Grok, do X, permitindo a criação de cenas que nunca existiram de fato.
Em seu perfil no Instagram, Flávio postou os bastidores do ensaio realizado em Brasília. Nas imagens, o senador aparece usando diferentes roupas, todas com as cores da bandeira do Brasil: verde, amarelo ou azul.
Em um trecho do vídeo divulgado, o pré-candidato aparece, inclusive, com a camisa tradicional da seleção brasileira. Desde a eleição de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em 2018, a vestimenta é frequentemente associada a apoiadores do clã Bolsonaro e da direita no país.
Uso de IA nas eleições
Além de suprir a demanda do eleitorado por imagens atualizadas, a decisão da campanha de produzir fotos próprias do senador visa evitar desgastes com a Justiça Eleitoral durante a corrida presidencial.
Isso porque, em 2026, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) concluiu a análise das normas que regulamentam as eleições gerais de outubro deste ano.
Dentre as regras definidas, estão a obrigatoriedade de avisos explícitos de propagandas eleitorais que utilizam conteúdos criados por IA e a proibição de qualquer conteúdo feito por IA que use a voz ou a imagem de candidatos durante as 72 horas anteriores à eleição.
À CNN, o advogado eleitoral Alberto Rollo explica que as regras valem especificamente para o período de propaganda eleitoral, que tem início em 16 de agosto. Dessa forma, as imagens de IA divulgadas pelos apoiadores — assim como eventuais republicações por parte de Flávio — não devem acarretar problemas para o senador.
No entanto, conteúdos audiovisuais criados por IA e publicados a partir dessa data podem, sim, levar a eventuais problemas para o pré-candidato.
Segundo Rollo, a princípio, as resoluções do TSE falam de propaganda feita pelos próprios candidatos ou partidos, e não especificamente pelo eleitorado, mas que a interpretação pode se estender para os eleitores.
“Ainda que não esteja expressamente escrito que serve para eleitor, eu acho que a vedação acaba sendo estendida também. Se os apoiadores exagerarem, o beneficiário daquela propaganda ilegal e irregular pode ser acusado de abuso dos meios de comunicação social”, afirma Rollo, que acrescenta que a conduta pode ser vista como uma forma de “burlar” a vedação.

