A defesa do advogado Daniel Lopes Monteiro, preso na 4ª fase da Operação Compliance Zero, divulgou nota neste sábado (18) em que afirma que a criação de empresas, fundos e outras estruturas é parte da atividade regular da advocacia e que o uso indevido por clientes destas estruturas não pode ser atribuído automaticamente, sem provas, ao advogado.
O comunicado explica que é “necessária prova de participação direta e consciente em qualquer irregularidade, o que não se presume”. O advogado é defendido pelo escritório Cavalcanti Sion, que ainda não informou quais as primeiras medidas judiciais serão tomadas.
Monteiro é próximo a Daniel Vorcaro, ex-banqueiro dono do Master e investigado pela PF (Polícia Federal). O advogado segue preso na sede da PF paulista.
Na decisão do ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), que levou Monteiro à prisão, o advogado é apontado “como operador jurídico-financeiro do esquema investigado”.
Ele seria um dos responsáveis por montar uma operação para repassar seis imóveis de luxo ao ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa.
O advogado é apontado pela PF como o arquiteto jurídico do esquema de propina que teria beneficiado Costa.
O ex-presidente do BRB também foi preso na última quinta-feira (16) suspeito de crimes de corrupção, crimes financeiros e de lavagem de dinheiro ligados ao Banco Master.
Paulo Henrique Costa teria atuado para facilitar as transações com carteiras de crédito entre BRB e Master. As carteiras depois foram consideradas “podres” e o BRB ficou em dificuldades financeiras.
Os imóveis identificados pela PF na transação “arquitetada” por Monteiro, seriam o pagamento ao ex-presidente do BRB pela facilitação.
Numa espécie de balanço da prestação dos serviços ao Banco Master, a nota da defesa de Daniel Monteiro destaca que o antigo escritório onde ele era sócio atuou tanto em atividades de consultoria como em disputas judiciais.
Diz ainda que, ao todo, foram 180 mil horas de trabalho envolvendo 28 mil processos judiciais para redução de aproximadamente R$ 662,7 milhões em passivos
A defesa reforça que atual profissional de Monteiro sempre se deu de forma “estritamente técnica”, com trajetória reconhecida na assessoria jurídica a instituições financeiras e grandes grupos econômicos, pautada pela ética e diligência.
O documento finaliza que Daniel Monteiro segue à disposição das autoridades e que os fatos serão devidamente esclarecidos.
Rompimento
O advogado Daniel Monteiro não faz mais parte do escritório Monteiro Rusu, citado nas investigações da Polícia Federal, do Ministério Público e até na decisão de André Mendonça. Monteiro e os antigos sócios assinaram um acordo de dissolução parcial no dia 10/02, com efeitos a partir do dia 28/02.
A CNN apurou que a dissolução foi causada em razão das investigações no caso Master, envolvendo Daniel Monteiro.

