José Medalha, ex-técnico da seleção brasileira masculina de basquete e treinador de Oscar Schmidt durante mais de uma década, revelou detalhes sobre a trajetória do atleta que faleceu aos 68 anos nesta sexta-feira (17). Em entrevista ao Hora H, Medalha compartilhou memórias dos anos de convivência com o “Mão Santa” e destacou características que fizeram do jogador uma lenda do esporte.
“O Oscar não era um jogador de talento, é incrível isso. Ele não tinha aquele talento nato de jogador de basquetebol”, afirmou Medalha, que acompanhou Schmidt em três Olimpíadas. “Mas o Oscar conseguiu superar essa ausência de talento motor com treinamento. Ele era um obcecado por treinamento e pela perfeição.”
Segundo o ex-treinador, a obstinação era o diferencial do atleta. Após os treinos regulares, Oscar chamava os companheiros para continuar arremessando. “Ele desafiava os jogadores… Tinha até um exercício que ele chamava “quem erra, passa”… o último a entrar no chuveiro e sempre um dos primeiros a chegar na quadra”, relatou.
Legado internacional
Medalha destacou que Oscar foi um dos atletas que mais contribuiu para a difusão do basquetebol no Brasil e no mundo. Com 325 jogos pela Seleção Brasileira e mais de 7 mil pontos marcados, Schmidt foi protagonista em momentos históricos como a vitória no Pan-Americano de 1987, em Indianápolis, quando o Brasil derrotou os Estados Unidos.
“O Oscar foi o grande líder desse triunfo. Essa vitória deu um ensejo para que os profissionais do basquetebol pudessem depois participar de Olimpíada”, explicou o ex-técnico, referindo-se à posterior decisão da FIBA de permitir que jogadores profissionais da NBA representassem seus países em competições olímpicas.
Sobre o confronto com o “Dream Team” americano nas Olimpíadas de Barcelona em 1992, Medalha relembrou: “Para nós foi um sonho. O time todo vibrou com isso. Seria o sonho de todos eles, enfrentar o Michael Jordan, o Magic Johnson, o Larry Bird. Foi uma participação inesquecível, histórica, muito emocional.”
“Ele não se conformava com fracasso, jamais”, enfatizou Medalha sobre a personalidade de Schmidt. “Ele sempre achava que a perfeição seria o melhor caminho para que ele pudesse chegar aonde ele chegou. Um jogador de marca mundial, reconhecido no mundo todo.”

