O financiamento privado do agronegócio brasileiro se manteve na casa de R$ 1,4 trilhão em março, com leve oscilação em relação a fevereiro, segundo o Boletim de Finanças Privadas do Agro do Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária).
Na comparação mensal, os principais instrumentos perderam força na margem. A CPR (Cédula de Produto Rural) passou de R$ 561,35 bilhões em fevereiro para R$ 560,19 bilhões em março. A LCA (Letra de Crédito do Agronegócio) recuou de R$ 588,21 bilhões para R$ 583,36 bilhões no mesmo período.
Os CRA (Certificados de Recebíveis do Agronegócio) também registraram leve queda, de R$ 176,94 bilhões para R$ 176,43 bilhões. Já os CDCA (Certificados de Direitos Creditórios do Agronegócio) foram a exceção e subiram marginalmente, de R$ 32,26 bilhões para R$ 32,34 bilhões.
Mesmo com a acomodação na margem, os números seguem elevados na comparação anual. A CPR cresceu 17% em relação a março de 2025 e acumula alta de 72% frente a 2024. A LCA avançou 6% em um ano, enquanto os CRAs subiram 15% no mesmo período.
No caso das LCAs, o boletim mostra que R$ 350,01 bilhões estão direcionados ao financiamento rural na safra atual, dentro da exigência de aplicação mínima de 60% das captações. Desse total, R$ 157,51 bilhões vão obrigatoriamente para operações de crédito rural.
A CPR segue como principal instrumento do mercado e também apresenta crescimento operacional. O estoque saiu de R$ 477,34 bilhões em março de 2025 para R$ 560,19 bilhões em março deste ano. O número de operações chegou a 402 mil, alta de 12% em um ano, com tíquete médio de R$ 1,39 milhão.
Na safra 2025/2026, entre julho e março, os registros em CPR somaram R$ 283,66 bilhões, queda de 5% em relação ao ciclo anterior, mas ainda 50% acima do observado na safra 2023/2024.
Os Fiagro (Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais) seguem em expansão e ajudam a sustentar o patamar elevado do financiamento privado. O patrimônio saiu de R$ 48,35 bilhões em janeiro para R$ 56,98 bilhões em fevereiro, com alta de 29% em 12 meses.
O movimento indica uma acomodação após o forte crescimento observado nos últimos anos, especialmente da CPR. A leitura é de que o ambiente de juros elevados tem limitado o ritmo de expansão dos instrumentos privados, ao mesmo tempo em que o espaço fiscal restrito reduz a capacidade de ampliação do crédito subsidiado.
Apesar disso, o volume segue em nível historicamente alto, reforçando a mudança estrutural no financiamento do agro, cada vez mais dependente do mercado de capitais.
O boletim ressalta que o valor agregado não representa o total líquido do financiamento privado, já que há sobreposição entre os instrumentos — principalmente porque a CPR pode servir de lastro para outros títulos, o que pode gerar dupla contagem.
