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PCC no mercado musical: entenda investigação que envolve MC Ryan SP

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 3 horas)

O cantor MC Ryan SP, preso na manhã de quarta-feira (15), teria utilizado empresas ligadas ao ramo musical para lavar dinheiro. O músico é apontado como líder de uma organização criminosa que teria movimentado transações bilionárias de forma ilícita.

A operação que resultou na detenção de Ryan foi realizada pela Polícia Federal e foi denominada como “NarcoFluxo”. Segundo a investigação, os setores musicais e de entretenimento funcionavam como uma estrutura central para a integração de recursos ilícitos.

Entre as empresas ligadas ao caso estão a Bololo Records Ltda. e a MC Ryan SP Produção Artística Ltda., companhias musicais criadas pelo cantor, além da Bololo Restaurante & Bar, vinculada a um estabelecimento localizado em um bairro de alto padrão de São Paulo.

Outras produtoras de funk e empresários do ramo também aparecem como alvos e foram submetidos a medidas cautelares, como o sequestro de bens e o bloqueio de valores. Além disso, algumas dessas empresas e investigados são citados com algum tipo de ligação com o PCC (Primeiro Comando da Capital). 

Como funcionava o esquema?

As produtoras dariam aparência de legalidade à movimentação de valores bilionários vindos de jogos de azar e de outras atividades ilícitas.

Segundo as investigações, as empresas eram utilizadas como um ‘canal’ para a injeção desses recursos. Um dos investigados chegava a misturar valores de apostas com o pagamento de despesas relacionadas a shows e à carreira do cantor, com o objetivo de “lavar” o dinheiro e fazê-lo parecer legal.

PF: MC Ryan é líder de organização criminosa que movimentou R$ 260 bilhões

Entenda a operação

A Justiça determinou o bloqueio de R$1,6 bilhão, valor rastreado pelo Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), e as estimativas da PF indicam que a movimentação total do grupo pode ultrapassar R$260 bilhões.

Para dar aparência de legalidade às operações, o grupo utilizava um mecanismo descrito pelos investigadores como “escudo de conformidade”, em que os artistas e influenciadores digitais exploravam sua visibilidade pública para mascarar as movimentações financeiras.

O esquema teria usado mecanismos de blindagem patrimonial ao transferir participações societárias para familiares e os chamados “laranjas”. A PF constatou que as ferramentas eram utilizadas com o objetivo de ocultar a origem dos valores.

As investigações também apontam ligação do grupo com o PCC (Primeiro Comando da Capital). O principal elo seria Frank Magrini, identificado como operador financeiro da facção, com antecedentes por tráfico de drogas e roubos a banco.

Ele teria financiado o início da carreira do funkeiro MC Ryan SP em 2014, além de receber repasses periódicos de estabelecimentos ligados ao esquema.

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Entre os investigados também estão influenciadores e artistas como Raphael Sousa Oliveira, criador da página Choquei, que é citado como operador de mídia, responsável por promover plataformas de apostas e atuar na gestão de imagem.

O cantor MC Poze do Rodo (Marlon Brendon) e Mateus Magrini, irmão mais novo de Ryan, associados à circulação financeira de rifas digitais. Já Chrys Dias e Débora Paixão, conhecidos como “Casal Imports”, são apontados como financiadores no esquema.

A estrutura incluía também um núcleo internacional, com remessas ao exterior e evasão de divisas por meio de empresas ligadas aos investigados.

Como foi a ação

Foram expedidos 39 mandados de prisão temporária, dos quais 33 foram cumpridos inicialmente, além de 45 mandados de busca e apreensão em nove estados e no Distrito Federal.

Durante a operação, foram apreendidos computadores, dispositivos eletrônicos e cerca de R$ 20 milhões em veículos de luxo, incluindo modelos das marcas Porsche, BMW e caminhonetes Amarok.

Também foi determinada a quebra de sigilos telemáticos e o confisco imediato de criptomoedas mantidas em corretoras.

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O que dizem as defesas

A defesa de Ryan SP afirmou que “até o presente momento não teve acesso ao procedimento que tramita sob sigilo, razão pela qual está impossibilitada de apresentar manifestação específica sobre os fatos.”

Já a de Marlon Brandon, conhecido como MC Poze do Rodo, informou que ainda desconhece os autos do processo e o teor do mandado de prisão expedido contra o artista.

Os advogados de Chrys Dias e Débora Paixão não foram localizados até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto.

Veja nota na íntegra:

“A defesa técnica de MC Ryan informa, de forma respeitosa, que até o presente momento não teve acesso ao procedimento que tramita sob sigilo, razão pela qual está impossibilitada de apresentar manifestação específica sobre os fatos.

Ressalta-se, contudo, a absoluta integridade de MC Ryan, bem como a lisura de todas as suas transações financeiras. Todos os valores que transitam por suas contas possuem origem devidamente comprovada, sendo submetidos a rigoroso controle e ao regular recolhimento de tributos, o que sempre foi observado de maneira contínua e responsável.

A defesa confia plenamente que os esclarecimentos necessários serão prestados oportunamente, acreditando que, já no início da investigação, a verdade dos fatos será devidamente demonstrada.”

Dono da Choquei

“A defesa de Raphael Sousa Oliveira esclarece que seu vínculo com os fatos investigados decorre, exclusivamente, da prestação de serviços publicitários por meio de sua empresa, responsável pela comercialização de espaço de divulgação digital.

Os valores por ele recebidos referem-se a serviços efetivamente prestados de publicidade e marketing, atividade lícita e regularmente exercida há anos.

Raphael não integra organização criminosa, não participou de qualquer esquema ilícito e jamais exerceu função diversa da veiculação publicitária contratada.

A defesa está adotando as medidas cabíveis e demonstrará, no momento oportuno, que sua atuação sempre se deu dentro dos limites da legalidade.”

Rodrigo Morgado durante Narco Bet

“A defesa de Rodrigo Morgado vem a público declarar sua total inocência diante das acusações que lhe foram atribuídas no âmbito da Operação NarcoBet e NarcoVela, conduzidas pela Policia Federal.

Rodrigo sempre atuou exclusivamente como contador, exercendo sua atividade profissional de forma técnica, ética, regular e dentro dos limites legais da profissão, prestando serviços contábeis a diversos clientes.

Toda a documentação relativa à sua atuação empresarial está devidamente organizada e será apresentada ao Juizo no momento oportuno.

As movimentações financeiras relativas aos clientes, da mesma forma serão trazidas esclarecendo ao feito a licitude das transações.

O simples ato de converter criptomoedas em reais mediante pagamento de comissão não configura crime.

A atividade P2P, ainda que não submetida a regulação específica do Banco Central, não é ilícita, desde que comunicada à Receita Federal, o que, segundo os documentos fornecidos, foi feito regularmente pelas empresas dos seus clientes.

A defesa reitera que Rodrigo não participou de qualquer atividade ilicita e que sua conduta sempre foi pautada pelo respeito à lei.

Acreditamos firmemente que, com a apuração completa dos fatos, momento em que será garantida a mais ampla defesa pelo Juizo, sua inocência será reconhecida e a verdade prevalecerá.

A defesa seguirá lutando por sua liberdade e confia na Justiça para que essa situação seja esclarecida o mais breve possivel.”

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*Sob supervisão de AR.

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