A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo confirmou o registro de três casos de febre amarela na região do Vale do Paraíba nessa quinta-feira (16). O óbito de um homem de 38 anos também foi notificado na cidade de Cunha, interior paulista.
Segundo o boletim epidemiológico do CVE (Centro de Vigilância Epidemiológica), nenhum dos três casos tinha histórico de vacinação.
A febre amarela é uma doença infecciosa febril aguda e que pode levar ao óbito em sua forma grave. É causada por um vírus transmitido por mosquitos, possuindo dois ciclos de transmissão, o urbano e o silvestre.
No ambiente urbano, a transmissão acontece por meio de mosquitos adaptados às cidades, como o Aedes aegypti, que também é vetor de doenças como dengue, zika e chikungunya.
Por outro lado, no ciclo silvestre, os principais reservatórios do vírus são os primatas não humanos (macacos), embora eles não sejam responsáveis diretos pela transmissão.
Nesse contexto, mosquitos de hábitos silvestres, especialmente dos gêneros Haemagogus e Sabethes, picam os macacos e disseminam o vírus. O ser humano pode ser infectado de forma acidental ao entrar em áreas de mata sem estar imunizado.
De acordo com o Ministério da Saúde, no Brasil, o ciclo predominante da doença atualmente é o silvestre, com transmissão realizada por mosquitos dos gêneros Haemagogus e Sabethes. Os últimos registros de febre amarela em áreas urbanas no país datam de 1942.
Sintomas da febre amarela
Os sintomas da febre amarela incluem:
- Febre de início súbito;
- Calafrios;
- Dor de cabeça intensa;
- Dor nas costas;
- Dor no corpo;
- Náuseas e vômitos;
- Fadiga;
- Fraqueza.
A maioria dos pacientes costuma ter sintomas leves, porém cerca de 15% podem desenvolver sintomas graves da doença, que incluem febre alta, icterícia, hemorragia e, eventualmente, choque e insuficiência de múltiplos órgãos.
De acordo com a Saúde, cerca de 20% a 50% das pessoas que desenvolvem febre amarela grave podem morrer. Por isso, assim que surgirem os primeiros sinais e sintomas, é fundamental buscar ajuda médica imediata.
Como é feito o tratamento?
O tratamento da febre amarela é sintomático, ou seja, visa aliviar os sintomas da doença. Não há um medicamento específico para tratar a doença. Em casos graves, o paciente deve ser atendido em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para reduzir as complicações e o risco de óbito. Medicamentos como AAS/Aspirina devem ser evitados, pois o uso pode favorecer hemorragias.
Vacina da febre amarela é a principal forma de prevenção
A vacina da febre amarela é a principal forma de evitar a doença e é oferecida gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para toda a população. Desde abril de 2017, o Brasil adota o esquema vacinal de apenas uma dose durante toda a vida, medida que está conforme as recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS).
A vacina, administrada via subcutânea, está disponível durante todo o ano nas unidades de saúde e deve ser administrada pelo menos 10 dias antes do deslocamento para áreas de risco, principalmente, para os indivíduos vacinados pela primeira vez. O imunizante oferece de 95% a 99% de proteção a adultos vacinados e 90% de proteção a crianças.
Quem não deve se vacinar?
A vacina da febre amarela não é recomendada para:
- crianças menores de 9 meses de idade;
- mulheres amamentando crianças menores de 6 meses de idade;
- pessoas com alergia grave ao ovo;
- pessoas que vivem com HIV e que têm contagem de células CD4 menor que 350;
- pessoas em tratamento com quimioterapia/radioterapia;
- pessoas portadoras de doenças autoimunes;
- pessoas submetidas a tratamento com imunossupressores (que diminuem a defesa do corpo).
Novo tratamento para febre amarela pode reduzir em 84% risco de morte
*Com informações de Gabriela Maraccini, da CNN Brasil

