O Canadá, o Reino Unido e outros países condenaram as mortes de soldados de paz da ONU no Líbano durante conflito entre Israel e o Hezbollah, e pediram o fim das hostilidades.
“A Austrália, o Brasil, o Canadá, a Colômbia, a Indonésia, o Japão, a Jordânia, Serra Leoa, a Suíça e o Reino Unido permanecem profundamente preocupados com o agravamento da situação humanitária e a crise de deslocamento no Líbano”, afirmaram os países em uma declaração conjunta divulgada nesta terça-feira (14).
A declaração surge após a morte de três soldados de paz no mês passado, que, segundo apurou preliminarmente a ONU, foi causada por um projétil de tanque israelense e um dispositivo explosivo improvisado, provavelmente colocado pelo Hezbollah.
“Estas são conclusões preliminares, baseadas em evidências físicas iniciais”, disse o porta-voz da ONU, Stephane Dujarric, em uma coletiva de imprensa na última terça-feira (7), acrescentando que uma investigação completa está em andamento, incluindo o diálogo com as partes envolvidas.
Dujarric classificou os incidentes como “inaceitáveis” e disse que eles podem constituir crimes de guerra, de acordo com o direito internacional.
Ele acrescentou que as Nações Unidas solicitaram que os casos sejam investigados e processados pelas autoridades nacionais para que os responsáveis sejam levados à justiça.
Os soldados de paz indonésios foram mortos em dois incidentes separados no sul do Líbano, nos dias 29 e 30 de março, após um fim de semana sangrento em que jornalistas e paramédicos libaneses também foram mortos em ataques israelenses.
A Indonésia instou a ONU a investigar minuciosamente o caso à luz das conclusões preliminares, declarou Veronica Rompis, alta funcionária do Ministério das Relações Exteriores, a jornalistas na quarta-feira, acrescentando que todos os responsáveis devem ser levados à justiça.
Bombardeios no sul do Líbano na última terça-feira forçaram um comboio de ajuda humanitária organizado pela embaixada do Vaticano para uma cidade cristã sitiada a retornar, disse um padre da cidade à Reuters.
Também na última terça-feira, uma porta-voz da força de paz, a UNIFIL (Força Interina das Nações Unidas no Líbano), afirmou que o exército israelense bloqueou um comboio logístico da UNIFIL e deteve brevemente um de seus soldados de paz.
A porta-voz, Kandice Ardiel, disse que qualquer detenção de um soldado de paz das Nações Unidas é uma violação flagrante do direito internacional e que o exército israelense informou à UNIFIL que havia iniciado uma investigação sobre o assunto.

