O presidente chinês, Xi Jinping, afirmou nesta terça-feira (14) que o Estado de Direito internacional deve ser respeitado para que a paz e a estabilidade prevaleçam no Oriente Médio, em uma crítica à guerra conjunta entre Estados Unidos e Israel contra o Irã.
Embora Pequim tenha criticado repetidamente a campanha conjunta entre EUA e Israel como ilegal, Xi fez poucos comentários públicos sobre o conflito. Ele se reunirá com o presidente americano, Donald Trump, em um encontro previsto para o próximo mês em Pequim.
O Estado de Direito não pode ser “usado quando conveniente e descartado quando não”, disse Xi ao xeique Khaled bin Mohamed bin Zayed Al Nahyan, príncipe herdeiro de Abu Dhabi, que estava em visita oficial, segundo a agência de notícias oficial Xinhua.
A visita ocorre em meio a tensões crescentes no Oriente Médio, após as negociações do fim de semana entre Washington e Teerã não terem resultado em um acordo para encerrar a guerra.
Desde o início da guerra, no final de fevereiro, o Irã efetivamente fechou a importante rota marítima do Estreito de Ormuz para embarcações que considera de nações hostis.
Na segunda-feira (13), os militares dos EUA iniciaram um bloqueio aos portos iranianos, acusando o Irã de “terrorismo econômico”.
As remessas de petróleo dos países do Golfo, incluindo os Emirados Árabes Unidos, através do estreito, despencaram desde o início da guerra. Teerã também lançou ataques com mísseis e drones contra a infraestrutura energética de países vizinhos do Golfo, incluindo os Emirados Árabes Unidos.
Dados oficiais divulgados na terça-feira mostraram que as importações chinesas de gás natural em março caíram para o menor nível desde outubro de 2022, enquanto os embarques de petróleo bruto recuaram 2,8%, com navios chineses retidos no Estreito de Ormuz.
“Não podemos permitir que o mundo volte à lei da selva”, disse Xi ao xeique Khaled, filho mais velho do presidente dos Emirados Árabes Unidos, xeique Mohamed bin Zayed Al Nahyan.
Parceria estratégica
Xi disse ao xeique Khaled, que também preside o Conselho Executivo de Abu Dhabi, que a China está disposta a trabalhar com os Emirados Árabes Unidos para construir uma parceria estratégica mais robusta, resiliente e dinâmica.
A visita do príncipe herdeiro do maior dos sete emirados dos Emirados Árabes Unidos reforça o compromisso de longo prazo com a expansão do crescente corredor econômico com a China, aproveitando o impulso gerado pela visita do pai do Sheikh Khaled em 2024.
Na segunda-feira (13), a companhia aérea nacional dos Emirados Árabes Unidos, a Etihad Airways, sediada em Abu Dhabi, anunciou um plano para expandir significativamente sua rede de voos entre a capital dos Emirados Árabes Unidos e cidades chinesas em 2026 e 2027.
Destacando o esforço dos Emirados Árabes Unidos para estreitar os laços econômicos com a China, a delegação do ministro Khaled incluiu Sultan Ahmed Al Jaber, CEO da Companhia Nacional de Petróleo de Abu Dhabi e ministro da Indústria; o ministro do Investimento, Mohamed Hassan Alsuwaidi; e o ministro do Comércio, Thani bin Ahmed Al Zeyoudi.
Na segunda-feira, o número dois da China, o primeiro-ministro Li Qiang, disse ao príncipe herdeiro que Pequim estava disposta a explorar a cooperação em armazenamento de energia, hidrogênio e veículos de novas energias.
O comércio bilateral deve ser “expandido em escala, mas também otimizado estruturalmente”, disse Li, acrescentando que a China acolhe com satisfação mais investimentos dos Emirados Árabes Unidos em setores como inteligência artificial, manufatura avançada e ciências da vida.
Ainda este ano, a China planeja sediar a segunda Cúpula China-Estados Árabes, onde Pequim espera concluir as negociações sobre um pacto de livre comércio entre a China e o Conselho de Cooperação do Golfo, que inclui os Emirados Árabes Unidos, Catar, Bahrein, Omã, Kuwait e Arábia Saudita.

