A terceira maior hidrelétrica do mundo, Itaipu Binacional, está diante de um embate diplomático. A negociação para conclusão de um novo acordo tarifário pode acontecer ainda este ano e dependendo de como o Brasil se sair na disputa com o Paraguai, poderá economizar R$ 1,5 bilhão por ano, com a cotação do dólar atual (US$ 300 milhões).
“Hoje a população brasileira paga US$ 16,71 na tarifa média de energia. Mas o Paraguai recebe US$ 19,28. Essa diferença sai do fluxo de caixa, de 300 milhões dólares por ano”, afirma Enio Verri, diretor-geral da Itaipu Binacional, em conversa com jornalistas, durante evento, na última segunda-feira (13), em Foz do Iguaçu (PR).
O Brasil compra com o preço cheio, o excedente de energia que o Paraguai não usa, cláusula negociada no acordo entre os dois países, mas para não repassar ao consumidor final, usa o fluxo de caixa da companhia para compensar a diferença. Cada um dos países têm direito a 50% da geração de energia da usina, o Brasil usa sua parte integralmente, já o Paraguai não, sendo assim, vende o que não usa diretamente para o Brasil.
Verri garante que o valor negociado será menor do que a tarifa congelada atual. O novo valor será negociado para começar a valer em 2027. O Brasil debate o chamado Anexo C desde 2023, quando completou 50 anos do acordo binacional, em que questões financeiras puderam ser discutidas.
“Nos anos de 2023 a 2026 , nós congelamos as tarifas. Já começamos o diálogo com o Paraguai para discutir a tarifa do ano que vem. A única coisa que eu posso afirmar com toda a autoridade: será menor o preço. Eu eu diria que isso está dado. Não há mais o que conversar sobre isso”, diz Verri.
Para o diretor e ex-deputado federal, a questão de Itaipu não sofrerá impacto pela disputa eleitoral deste ano.
“As pesquisas mostram que energia não é a pauta. A pauta tá muito na segurança, na saúde, como sempre”, analisa o diretor.
Destino incerto
Há um impasse também nos objetivos futuros da usina, para o Brasil o que mais importa é a produtividade, já para o país vizinho, que vem crescendo e precisa de mais energia no futuro, ampliar as fontes de geração seria a melhor solução.
“Para o Paraguai, se a gente pudesse encher a represa com placas solares, seria muito bom para eles, porque o país tá crescendo muito. Daqui cinco anos não haverá excedente para o Paraguai vender, a economia deles está crescendo ”, comenta o mandatário brasileiro de Itaipu.
Requerimento TCU
Questionado sobre o tema, o executivo alega que a decisão sobre a gestão da tarifa não cabe aos diretores, tanto o brasileiro, quanto o paraguaio.
“Acho totalmente normal dentro da lógica do Partido Novo. Não vejo problema nenhum. Informações sobre Itaipu que se refere aos investimentos, é só entrar no site. Lá tem tudo que investimos, e onde investimos. Agora, o questionamento se o preço é isso, ou aquilo, nós não participamos, porque isso são as altas partes. Isso quem tem que decidir, qual o valor da tarifa, é um acordo entre os países e não entre os diretores”, comenta Verri.
Transição Energética
Na sede da usina Itaipu Binacional foi inaugurada a UDB (Unidade de Demonstração de Biocombustíveis).
“Com exceção ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o mundo aposta nisso”, diz Enio Verri à jornalistas em evento, ressaltando que a transição energética é importante para lidar com as mudanças climáticas.
A nova unidade vai utilizar cerca de 65% do resíduo gerado em todo parque de Itaipu, além de materiais orgânicos confiscadas pela Receita Federal, para poder gerar o biogás. Transformando todo material em gás.
No complexo, recém inaugurado, o biogás será tratado para se tornar biometano, funcionando como um gás gnv, que abastecerá carros da frota do complexo. A ideia é projetar uma economia circular. Um dos ônibus que levará turistas para conhecer a usina será abastecido pelo combustível gerado na UDB.
O local poderá ser visitado por pesquisadores e pela população.

