O PT (Partido dos Trabalhadores) está buscando uma forma de criticar o que aconteceu no STF (Supremo Tribunal Federal) sem romper relações com o ministro Alexandre de Moraes, após o caso envolvendo o Banco Master. De acordo com o analista político Pedro Venceslau, no CNN 360°, o partido enxerga uma contaminação da imagem do presidente Lula em função do desgaste atual do STF perante a opinião pública.
Segundo Venceslau, a “vacina” encontrada pelo PT para lidar com a situação foi propor uma reforma do Judiciário. “Você pode reparar que os petistas de vários escalões diferentes estão todos falando a mesma linha”, afirmou o analista, sugerindo que esta estratégia foi articulada após conversas com a equipe de marketing da pré-campanha.
Proposta de PEC já está sendo preparada
O deputado federal Reginaldo Lopes (PT-MG), vice-líder do governo no Congresso, já está com uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição) preparada e começará a coletar assinaturas para limitar o mandato dos ministros do STF. A proposta estabeleceria um período de 10 anos para os ministros, podendo incluir também uma idade máxima para aposentadoria, aos 65 anos.
“Era impensável um projeto dessa natureza, apresentado por um petista durante o julgamento dos atos do 8 de janeiro”, destacou Venceslau, lembrando que esta era tradicionalmente uma pauta associada à direita bolsonarista, que sempre buscou restringir a atuação do STF e impedir a interferência entre os poderes.
Aproximação entre governo e oposição
O analista político observa que parlamentares da direita, do Centrão e da oposição ao governo demonstraram receptividade à proposta petista. “Vai ser difícil não apoiar um projeto dessa natureza, porque é um projeto que dialoga com tudo aquilo que os bolsonaristas sempre defenderam em relação ao Supremo Tribunal Federal”, explicou Venceslau.
A mudança de postura do PT em relação ao Judiciário ocorre em um contexto de desgaste da imagem do STF. Pesquisa Datafolha indica que 75% dos entrevistados acreditam que o Supremo tem poder demais, o que estaria contaminando também a popularidade do presidente Lula. Esta situação contrasta com o período pós-8 de janeiro, quando Lula mantinha uma relação próxima com o Supremo, tendo inclusive descido a rampa do Palácio do Planalto ao lado de ministros da corte.

