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Análise: reabertura de Ormuz será insuficiente para resolver crise

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 3 horas)
Análise: reabertura de Ormuz será insuficiente para resolver crise

A reabertura do Estreito de Ormuz está se mostrando difícil. Mas mesmo que essa via navegável vital seja totalmente reaberta e o petróleo e outras cargas essenciais possam sair, isso não será suficiente para que as coisas voltem ao normal.

Isso porque os navios vazios precisarão voltar ao estreito para manter o fluxo de mercadorias em movimento. Especialistas afirmam que as companhias marítimas não começarão a entrar no Golfo Pérsico pelo estreito enquanto houver um forte risco de que o cessar-fogo seja apenas temporário.

Petroleiros e armadores — assim como suas seguradoras — não permitirão que seus navios voltem a entrar no Golfo a menos que tenham certeza de que não ficarão presos lá por semanas ou mais, disse Lale Akoner, analista de mercado global da eToro.

“Um cessar-fogo de duas semanas e um cessar-fogo frágil — não acho que isso daria a confiança necessária (aos operadores de navios)”, disse ela.

Sem novos navios entrando no Golfo para carregar os próximos carregamentos de petróleo, fertilizantes e outras cargas tão necessárias, os benefícios de centenas de navios totalmente carregados saindo do estreito acabarão sendo de curta duração. A escassez e os preços elevados do petróleo e de outros produtos provavelmente continuarão por meses.

Para que as coisas voltem ao normal, primeiro os navios que ficaram presos no Golfo precisam partir. Até agora isso não aconteceu, de acordo com Matt Smith, da empresa de análise comercial Kpler.

“(Quase) ninguém está confiante o suficiente para passar pelo estreito”, disse ele. Os mais de 100 petroleiros que normalmente passam pelo Estreito de Ormuz todos os dias foram reduzidos a 10 ou menos, observou Smith.

Mesmo que haja confiança no cessar-fogo, o fluxo de embarcações será predominantemente de navios saindo da região. Smith disse que há cerca de 400 petroleiros carregados no Golfo esperando para sair, mas apenas cerca de 100 petroleiros vazios ansiosos para entrar.

Smith afirmou que, mesmo que o estreito fosse reaberto hoje, provavelmente só em julho o fluxo de petróleo voltaria ao normal.

O mesmo vale para os navios porta-contêineres, essenciais para o transporte de alimentos e outros bens dos quais os países do Golfo dependem, bem como para exportações como fertilizantes e resinas industriais.

Há cerca de 100 navios porta-contêineres esperando para sair, mas praticamente nenhum esperando para entrar, disse Peter Tirschwell, vice-presidente de assuntos marítimos e comerciais da S&P Global Market Intelligence.

Isso significa que 30% dos fertilizantes mundiais que normalmente saem da região provavelmente ficarão retidos lá por meses até que haja novos navios para transportá-los, disse ele. Assim como no caso do petróleo, enviar essa carga por navio é a ùnica maneira de transportá-la.

“Não existe capacidade para redirecionar facilmente essas cargas”, disse ele.

Sem novos navios passando pelo estreito e entrando no Golfo, especialistas afirmam que a produção de diversos produtos fabricados na região — petróleo bruto, gasolina e outros combustíveis refinados, além de fertilizantes — permanecerá suspensa.

A produção foi interrompida nas ùltimas seis semanas porque não havia para onde enviar esses produtos, disse Smith.

Os produtores de petróleo da região do Golfo “estão acostumados a simplesmente colocar (o petróleo) em um petroleiro e ele partir imediatamente”, disse ele. “IEles vão precisar de tempo para aumentar a produção, mas também precisam ter os petroleiros no local para poder carregar esse petróleo bruto.”

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