A recente pesquisa do Datafolha coloca o presidente Lula em situação inédita e preocupante para sua base política. Segundo levantamento comparativo publicado pelo jornal Folha de São Paulo, este é o cenário de primeiro turno mais apertado que o petista enfrenta em toda sua trajetória eleitoral, considerando o período de seis meses antes da eleição. A análise é de Clarissa Oliveira, ao CNN Novo Dia.
Os números são reveladores: em 2002, Lula tinha vantagem de 10 pontos percentuais sobre seu principal adversário; em 2006, mesmo após o escândalo do Mensalão, mantinha 17 pontos de diferença; e em 2022, chegou a apresentar 21 pontos de vantagem no mesmo período pré-eleitoral. Agora, o cenário mostra um empate técnico com seu principal opositor.
“É extremamente complexo para o presidente Lula ingressar nesse período com essa condição nas intenções de voto”, apontou a analista.
Desgaste da imagem presidencial
Segundo Oliveira, nem mesmo durante o Mensalão, considerado a maior marca histórica de desgaste da gestão petista, Lula havia entrado em período eleitoral com vantagem tão reduzida. “Esse levantamento é muito interessante para a gente olhar o grau de desgaste de imagem que o presidente Lula apresenta neste momento, ingressando nesse período de pré-campanha eleitoral”, observa.
A analista ressalta que o governo federal enfrenta dificuldades para colher os frutos de algumas realizações importantes, como a isenção do imposto de renda para quem ganha até 5 mil reais. “O sentimento dentro do governo federal é que gastou-se um esforço enorme para fazer essa entrega para a população e outros fatores estão neutralizando o benefício disso para Lula do ponto de vista da relação com a opinião pública”, explica.
Antipetismo como elemento central
As pesquisas recentes, incluindo o Datafolha, demonstram que o antipetismo volta a ser um elemento determinante no processo eleitoral. Diferente de 2006, quando a valorização de programas sociais como o Bolsa Família se sobrepôs à temática da corrupção, hoje essa pauta não tem a mesma aderência junto ao eleitorado.
“A relação com o trabalhador, com as pessoas mais favorecidas pelos benefícios sociais, não é mais tão sólida. As pessoas querem mais do que um benefício para sair da linha da pobreza. Se espera mais dos governantes, porque hoje, por exemplo, o Bolsa Família é tido como um benefício no qual nenhum político vai mexer”, analisa Clarissa.
No âmbito regional, destaca-se também a notícia de que, em São Paulo, o PT busca uma aliança com o PSDB para fortalecer Fernando Haddad. Essa movimentação reflete a estratégia de criar uma frente ampla, especialmente após pesquisas recentes que mostraram Haddad com até 42% das intenções de voto, resultado que animou sua equipe de campanha.

