A atriz Guta Stresser, 53, que interpretou a marcante Bebel de “A Grande Família”, voltou a falar sobre os bastidores conflituosos que marcaram a reta final da série com seu par romântico, Pedro Cardoso.
Em entrevista ao jornal O Globo, a artista de 53 anos relembrou momentos de crise e uma briga que mudou a dinâmica de trabalho entre os intérpretes de um dos casais mais icônicos da TV brasileira.
Agressão verbal
Segundo Guta, o desentendimento mais grave aconteceu durante uma gravação externa em um dia de frio e chuva. A discordância começou após uma sugestão técnica de Cardoso, que não foi bem recebida pela atriz. O embate então escalou rapidamente para uma agressão verbal.
“Ele veio andando pra cima de mim, gritando, achei que ia me bater. E disse: “Você é uma escada, você não é nada, só existe por causa de mim’. E ainda disse que eu trabalhava alcoolizada, o que era muita mentira. Comecei a chorar. Foi péssimo”, afirmou.
Do sucesso à separação dos roteiros
Apesar da química que garantiu o sucesso de Bebel e Agostinho por 14 temporadas, Guta ressaltou que os últimos anos foram particularmente difíceis.
Ela descreveu o colega como uma pessoa de “ego” complexo, embora reconhecesse seu talento. Ainda de acordo com ela, após a briga, a relação entre eles tornou-se estritamente formal e gelada, forçando mudanças na própria trama da série.
“Tivemos uma relação muito boa e saudável durante 12 dos 14 anos. A gente tinha uma química muito boa. O Pedro é uma pessoa difícil, mas também tinha um lado alegre, piadista. Às vezes tinha umas coisinhas de ego. Mas o casal funcionou muito”, lembrou a atriz.
Ainda durante os tempos mais críticos da convivência, Guta revelou que foi necessário adaptar a dinâmica das filmagens. “A gente gravou algumas cenas ainda. Eu ensaiava sem olhar para ele. Os autores propuseram uma separação. Achei ótimo.”
Reconciliação sem desculpas
Anos após o fim da produção, a atriz revela que nunca houve uma retratação formal por parte de Pedro Cardoso, embora tenham protagonizado cenas simbólicas de paz na ficção e mantido breves contatos casuais na vida real.
“Um ano depois, teve uma cena linda em que o Agostinho pedia desculpa pra Bebel. Caíam corações na externa. Ele chegou depois pra mim e falou: “Foi bonito, né?”. Mas não me pediu desculpas. Depois me encontrou uma vez em Santa Teresa, pediu pra gente tirar foto, que foi pro Instagram, e nos falamos rapidamente. Mas nunca me pediu desculpas.”
Guta encerrou a entrevista, indicando abertura para um possível diálogo, ainda que priorizando a paz interna: “Mas o perdão às vezes é mais pra gente do que pro outro”, concluiu.

