O endividamento dos brasileiros deixou o governo federal e o sistema financeiro em estado de alerta. O problema é estrutural, não pontual, de modo que soluções de curto prazo não devem melhorar o cenário, segundo economistas ouvidos pelo CNN Money.
Gabriel Barros, economista-chefe da ARX, avalia que a melhor forma de enfrentar o problema é reduzir os juros para toda a economia, não apenas para grupos específicos. E isso só será possível com medidas concretas de equilíbrio fiscal por parte do governo.
“Para reduzir os juros de forma estrutural, a gente precisa não só narrativa, não só retórica de equilíbrio fiscal, mas de medidas concretas que revertam o problema fiscal”, afirmou Barros.
“A política fiscal é que define o tamanho dos juros na economia. A política fiscal é o piloto, a política monetária é sempre o passageiro. Então, os juros que o Banco Central define é sempre passageiro, é sempre auxiliar a política fiscal”, pontuou.
Para conter o endividamento, o governo está apostando todas as fichas na carta da liberação do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) para pagamento de dívidas como parte do programa Desenrola 2.0.
“Isso é um paliativo. É para dar um fôlego de curto prazo para a população”, declarou o economista-chefe da MB Associados, Sérgio Vale.
Ele ressaltou que o momento político, com eleições se aproximando, favorece a implementação dessas medidas: “A gente está no ano eleitoral. É interesse do Congresso, é interesse do governo que isso avance o quanto antes para cada um dos agentes políticos falarem que tiveram parte em ajudar a população em um momento de crise”.
Contudo, ressaltou que o Brasil precisa resolver o problema do endividamento de forma mais estrutural. Para Vale, há dois caminhos principais: a continuidade do trabalho do BC (Banco Central) na desaceleração da inflação – o que permitiria reduzir a taxa de juros no futuro – e o ajuste fiscal mais significativo.
“Precisa fazer um ajuste importante para conseguir trazer essa taxa de juros para baixo”, enfatizou o especialista, lembrando que medidas semelhantes já foram adotadas no passado com resultados positivos.
Ele destacou que não há como “inventar a roda” e que o país precisa seguir caminhos já conhecidos para resolver seus problemas econômicos de forma sustentável.
Andrea Bastos, economista-chefe da BuySide Brasil, também demonstrou ceticismo quanto aos resultados a longo prazo. Ela avaliou que tais iniciativas tendem a ter um fôlego curto e não resolvem os problemas estruturais.
“Para resolver de fato a situação, as famílias terem acesso a um crédito mais barato, genuíno, sem que o governo tenha que gastar ou pelo menos dar a sua chancela nessas novas dívidas, a gente precisa ter as condições para que o Banco Central consiga reduzir a taxa de juros”, explicou.
“O melhor a se fazer no final da história para contribuir para essa questão do endividamento é endereçar os ajustes que a economia precisa fazer, tanto do ponto de vista fiscal, também do ponto de vista da própria reancoragem das expectativas de inflação”, concluiu.
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