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Inflação sobe e pressiona Banco Central

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 5 horas)
Inflação sobe e pressiona Banco Central

Segundo o Boletim Focus, que reúne projeções de economistas do mercado financeiro, a estimativa para o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) deste ano avançou de 4,31% para 4,36%, se aproximando do teto da meta.

A apresentadora da Resenha do Dinheiro, Marilia Fontes explica que o movimento marca uma mudança relevante na tendência recente.

“As expectativas vinham em queda, mas, a partir de fevereiro, com o aumento das tensões no Oriente Médio, passaram a subir novamente e a incomodar o Banco Central”, afirma.

Este e outros assuntos da economia serão abordados no programa e na News da Resenha, newsletter para manter os investidores informados e ajudar na tomada de melhores decisões no mercado.

A meta de inflação definida pelo CMN (Conselho Monetário Nacional) é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, ou seja, um limite de até 4,5%.

Marilia destaca que a deterioração não se limita a 2026. “Em 2027 a projeção da inflação está em 3,85%, 2028 em 3,6% e 2029 em 3,5%.”

Esse cenário ganhou ainda mais relevância porque ocorre em meio a uma tentativa de flexibilização da política monetária.

A taxa básica de juros, a Selic, está atualmente em 14,75% ao ano, após o BC realizar um corte de 0,25 ponto percentual na última reunião do Copom.

Antes da escalada das tensões envolvendo o Irã, a expectativa do mercado era de uma redução maior, de 0,5 ponto.

“No último comunicado, o Banco Central chegou a indicar que poderia acelerar o ritmo de queda, mas acabou optando por um corte menor. A expectativa era de uma melhora no cenário, o que não aconteceu nem nos preços ligados à guerra, nem nas projeções de inflação”, observa.

De acordo com Thiago Godoy, o “Papai Financeiro”, o comportamento das expectativas é um ponto central pois influencia diretamente a inflação real.

“As expectativas de inflação são quase uma profecia que tende a se realizar. Quando estão mais altas, empresários passam a reajustar preços e estratégias, e isso acaba aparecendo na economia do dia a dia”, explica.

A apresentadora analisa esse efeito. “Se o mercado antecipa aumento de custos como combustíveis, fretes ou alimentos, os preços já começam a ser ajustados antes mesmo desses impactos se concretizarem. Isso dificulta o controle da inflação.”

Ao mesmo tempo, o Brasil gerou 255 mil vagas de emprego formal em fevereiro, segundo dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados). O mercado de trabalho aquecido sustenta o consumo, mesmo em um ambiente de juros elevados.

Esse conjunto de fatores torna o cenário mais desafiador para a política monetária.

“Existe uma defasagem na política de juros. Em média, o efeito de uma alta da Selic aparece com mais força cerca de nove meses depois”, avalia Fontes. 

O espaço para cortes mais intensos na taxa básica fica limitado, o que exige cautela dos investidores, especialmente aqueles posicionados em ativos como prefixados ao movimento dos juros.

Resenha do Dinheiro 

Realizado com o apoio da B3 e da gestora de investimentos BlackRock, o programa é apresentado por Marilia Fontes, sócia-fundadora da Nord Investimentos; Thiago Godoy, o “Papai Financeiro”; Bernardo Pascowitch, fundador e CEO do Yubb; e propõe uma abordagem leve, direta e descomplicada sobre temas ligados a educação financeira e investimentos.

O programa vai abordar semanalmente as principais notícias e movimentos da economia com a leveza de uma conversa informal — como uma resenha entre amigos, no boteco ou após o futebol — mas sem perder a análise e o conteúdo.

A Resenha do Dinheiro vai ao ar todas as sextas-feiras, às 19h, no canal do CNN Money no YouTube e aos domingos, às 15h, na CNN Brasil.

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