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EXCLUSIVO: Nitro investe R$ 15 milhões em nova tecnologia para soja

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 5 horas)
EXCLUSIVO: Nitro investe R$ 15 milhões em nova tecnologia para soja

Após seis anos de pesquisa e um investimento de cerca de R$ 15 milhões, a Nitro lançou uma nova tecnologia voltada ao manejo do crescimento da soja, com expectativa de rápida adoção pelos produtores já na safra atual. O valor foi revelado com exclusividade do CNN Agro.

Controlar o porte da planta sem perda de produtividade. Esta é a aposta da Nitro ao colocar no mercado, este mês, um produto líquido de aplicação na lavoura ainda em estágio inicial.

De acordo com o diretor de pesquisa e desenvolvimento da companhia, Robson Mauri, o período de pesquisa e testes no campo demorou porque a formulação é complexa e corresponde a um problema de regulação do crescimento das plantas da oleaginosa, que é uma reclamação de mais de décadas do sojicultor. Por isso, a empresa decidiu fazer o aporte do valor somente no período de pesquisa e ainda não tem uma previsão do retorno do investimento, disse à reportagem.

Mesmo em um ano de aperto financeiro para o setor, a expectativa da Nitro é de que o produto atinja inicialmente 300 mil hectares de soja até o final de 2026. “Um dos principais gargalos hoje é o excesso de vigor vegetativo que limita a produtividade. Nos testes, o ganho médio com o produto foi de mais de 4 sacas por hectare, com mais de 85% de consistência, já validado em campo”, assegurou Mauri.

De acordo com a Nitro, pode ser o início de um novo padrão de manejo, com foco em eficiência fisiológica e não só em insumos tradicionais. A proposta da tecnologia é atuar no controle do crescimento vegetativo da planta sem comprometer o rendimento — um desafio histórico no manejo da cultura.

“É a primeira tecnologia que consegue segurar a planta sem travar a produtividade dela”, disse Mauri. Ele lembra que, no passado, produtores recorriam a práticas como a poda da soja para conter o crescimento. “Lembro, em 2012, do produtor fazendo poda da soja para segurar crescimento”.

A tecnologia faz parte de uma linha premium da empresa, baseada em uma molécula de síntese complexa, o que também motivou o pedido de patente. “É uma molécula mais difícil de ser sintetizada, e estamos com pedido de patente para proteger a pesquisa”, afirmou.

Segundo Mauri, a companhia mira o desenvolvimento local para tentar reduzir a dependência externa, considerando o momento sensível de guerra e a volatilidade dos custos do produtor. “Temos seis parques fabris e 400 centros de pesquisa e desenvolvimento para produzir ciência brasileira e depender menos de fora”, enfatizou.

A expectativa da Nitro é expandir a tecnologia para outros países da América Latina após a consolidação no Brasil. “Depois do registro no Brasil, devemos avançar para Paraguai e avaliar outras oportunidades na região”, disse.

Novos investimentos à vista

Além desse lançamento, a companhia também investe no desenvolvimento de soluções voltadas à mitigação de estresses ambientais nas lavouras, como déficit hídrico e pressões biológicas.

“Nós estamos investindo muito em moléculas e também em um conjunto de micro-organismos biológicos para mitigar estresses ambientais”, afirmou Mauri. Parte dessas soluções deve entrar em fase de testes pré-comerciais ainda este ano, com previsão de lançamento em 2027.

A estratégia da empresa, según o executivo, é atuar de forma próxima ao produtor, com foco em ganho de produtividade em um cenário de custos relativamente rígidos. Em cinco anos na área do agro, a empresa, que saiu do zero, conseguiu alcançar uma receita bilionária.

Em 2025, a receita líquida da divisão agrícola da Nitro superou R$ 1 bilhão. Para o futuro, o grupo projeta dobrar o faturamento do agro até 2029, buscando alcançar R$ 2,28 bilhões, especialmente por meio de bioinsumos.

A Nitro tem operações em todas as regiões produtoras de soja do Brasil, com atuação por meio de revendas e cooperativas, especialmente nas regiões Sul e Sudeste. 

“Nosso guidance é estar ombro a ombro com o produtor para enfrentar esses desafios”, reforçou.