O BRB (Banco de Brasília) enfrenta um momento de pressão após identificarem cerca de R$ 12 bilhões em operações de crédito fraudulentas, que impactaram o balanço e aumentaram a necessidade de capital.
Parte relevante do problema está ligada à estratégia adotada pelo banco nos últimos anos, com forte exposição a carteiras de crédito originadas pelo Banco Master.
Ou seja, o BRB comprava o direito de receber esses empréstimos no futuro, assumindo o risco de inadimplência.
Este e outros assuntos da economia serão abordados no programa e na News da Resenha, newsletter para manter os investidores informados e ajudar na tomada de melhores decisões no mercado.
Para Marília Fontes, especialista em renda fixa, o caso se insere em uma sequência recente de problemas no setor financeiro.
“Já vínhamos observando outros casos e agora o BRB entra nesse cenário. Esses empréstimos acabam se transformando em prejuízo, o que exige recomposição de capital”, afirma.
A busca por recursos, no entanto, encontra obstáculos tanto no mercado quanto no setor público.
Segundo ela, investidores privados tendem a se afastar em momentos de maior incerteza, enquanto uma eventual capitalização pelo controlador, no caso o governo do Distrito Federal, depende de aprovação política.
“Para o governo, capitalizar um banco que teve fraude tem um custo de imagem muito grande. Isso dificulta tanto a captação privada quanto uma solução pública”, diz.
Com isso, cresce a pressão sobre a liquidez do banco e o impacto já aparece no comportamento dos investidores.
Há aumento na oferta de CDBs do BRB no mercado secundário, com investidores buscando se desfazer dos papéis, o que eleva as taxas desses títulos.
“Agora não é hora de ser herói. Quando aparece um CDB pagando 140% do CDI, existe um risco por trás. O investidor precisa ter cautela e evitar exposição ao banco neste momento”, aconselha.
O cenário também levanta discussões sobre o papel do FGC (Fundo Garantidor de Créditos).
Para Thiago Godoy, apresentador da Resenha do Dinheiro, a proteção não deve ser usada como justificativa para assumir riscos mais elevados.
“O FGC funciona como um seguro, mas não deveria ser motivo para o investidor correr mais risco. Ele está ali como uma camada de proteção, não como estratégia”, observa.
O apresentador também destaca que o momento exige disciplina na escolha dos ativos. “Um CDB de banco grande pagando próximo de 100% do CDI já oferece uma boa rentabilidade. Não faz sentido buscar taxas muito acima disso esperando que o FGC resolva”, conclui.
Resenha do Dinheiro
Realizado com o apoio da B3 e da gestora de investimentos BlackRock, o programa é apresentado por Marilia Fontes, sócia-fundadora da Nord Investimentos; Thiago Godoy, o “Papai Financeiro”; Bernardo Pascowitch, fundador e CEO do Yubb; e propõe uma abordagem leve, direta e descomplicada sobre temas ligados a educação financeira e investimentos.
O programa vai abordar semanalmente as principais notícias e movimentos da economia com a leveza de uma conversa informal — como uma resenha entre amigos, no boteco ou após o futebol — mas sem perder a análise e o conteúdo.
A Resenha do Dinheiro vai ao ar todas as sextas-feiras, às 19h, no canal do CNN Money no YouTube e aos domingos, às 15h, na CNN Brasil.

