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Novo spyware vírus para Android rouba senha de duas etapas do Telegram

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
Novo spyware vírus para Android rouba senha de duas etapas do Telegram

Um spyware chamado uCreator pode roubar a senha de verificação em duas etapas do Telegram e permitir que criminosos assumam o controle de contas no Android. O programa malicioso é distribuído por versões adulteradas de aplicativos de mensagens e também possui ferramentas para clonar contas do WeChat.

A ameaça foi detalhada pelo pesquisador de segurança Ovi, em uma análise publicada em 21 de outubro, e divulgada nesta segunda-feira (26) pelo portal The Hacker News.

Segundo a investigação, o spyware funciona como uma plataforma de espionagem comercializada para terceiros. Os responsáveis podem alugar suas ferramentas para monitorar aplicativos, extrair informações e controlar contas remotamente.

Como o vírus consegue roubar a senha do Telegram?

O uCreator é distribuído principalmente por arquivos APK, usados para instalar aplicativos manualmente no Android, fora das lojas oficiais. Os criminosos utilizam versões modificadas de programas legítimos para esconder o código malicioso.

Quando a vítima abre o Telegram adulterado, o spyware passa a funcionar com as mesmas permissões do mensageiro.

O principal risco envolve a senha da verificação em duas etapas, uma camada adicional de segurança que o Telegram oferece para impedir acessos indevidos.

De acordo com Ovi, o malware consegue interceptar essa senha no momento em que ela é digitada, antes de ser processada pelo aplicativo.

Com esse acesso, os criminosos podem consultar o histórico de conversas, modificar o número de telefone vinculado à conta, encerrar sessões e até excluir o perfil da vítima.

O código também possui mecanismos para esconder dispositivos invasores da lista de sessões ativas exibida pelo aplicativo comprometido, dificultando a identificação do ataque.

No WeChat, o spyware utiliza outra técnica. Por meio de um ambiente virtual chamado Onion Box, ele consegue executar o aplicativo, extrair informações de autenticação e copiar os dados necessários para clonar uma conta.

Os pesquisadores ressaltam que essas são capacidades identificadas no código. Ainda não foi possível determinar quantas pessoas foram efetivamente afetadas pelo uCreator.

Telegram

Spyware tem relação com vírus que atingiu brasileiros

A investigação também identificou semelhanças entre o uCreator e o Baohuo, um malware encontrado em versões falsas do Telegram X.

Em outubro de 2025, a empresa de cibersegurança Doctor Web revelou que o Baohuo havia infectado mais de 58 mil dispositivos Android.

O Brasil estava entre os principais países afetados, concentrando 20,5% dos aparelhos identificados pela empresa. A Índia liderava o levantamento, com 22,8%.

Na época, os criminosos utilizavam anúncios que direcionavam as vítimas a páginas falsas de download. Os sites apresentavam o Telegram X como um aplicativo para conhecer pessoas e realizar chamadas de vídeo, inclusive com propagandas em português.

Segundo o The Hacker News, os dois programas compartilham elementos de código e infraestrutura. Entretanto, ainda não está confirmado se os responsáveis pelo uCreator participaram da campanha identificada em 2025.

Como se proteger do spyware?

A principal recomendação é evitar versões modificadas do Telegram e de outros aplicativos, especialmente aquelas oferecidas por links desconhecidos e sites que imitam lojas oficiais.

Também é importante manter o Google Play Protect ativado. A ferramenta verifica aplicativos instalados no Android, inclusive aqueles obtidos fora da Play Store, embora não consiga garantir a identificação de todas as ameaças.

Quem suspeitar de uma infecção deve remover os aplicativos comprometidos, realizar uma verificação de segurança e trocar a senha da conta utilizando um dispositivo confiável.

No Telegram, também é possível consultar os aparelhos conectados em Configurações > Dispositivos e encerrar sessões desconhecidas.

Por fim, testes realizados pelo pesquisador em um Pixel 10 Pro com Android 17 mostraram dificuldades de funcionamento de um dos componentes do spyware. Isso, porém, não significa que a versão mais recente do sistema esteja completamente protegida contra esse tipo de ataque.

Veja também: Como se proteger de golpes feitos com IA?

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