A Meta interrompeu temporariamente o compartilhamento de conversas do Muse, seu novo agente de inteligência artificial (IA), após pesquisadores identificarem uma falha que pode expor informações pessoais e dados comerciais confidenciais. Com a vulnerabilidade, era possível encontrar milhares de links criados por usuários para compartilhar pesquisas, conversas, imagens e outros conteúdos com o assistente, mesmo sem receber os endereços diretamente.
A falha foi descoberta por pesquisadores da empresa de segurança Claroc, que encontraram 6.800 links do Muse com uma única consulta a serviços comerciais de DNS passivo. A análise de uma amostra revelou documentos financeiros internos enviados a CEOs, pedidos de empréstimo de pequenos empresários, relatórios imobiliários com endereços e valores de hipotecas, alertas de fraude bancária com números parciais de contas e calendários completos de férias de funcionários.
O problema estava na forma como o Muse criava os links de compartilhamento. A ferramenta colocava o título das conversas em uma parte do endereço chamada subdomínio, como em home-sale-budget-9f21c8a3.cf.metaaiusercontent.com, em vez de deixá-lo no restante da URL. Quando alguém acessava o link, a consulta DNS ficava registrada em bancos de dados públicos, que podem ser pesquisados por terceiros. A Claroc chamou a falha de GhostShares, nome que faz referência às páginas que podem ser encontradas por pessoas que nunca receberam os links originais.
Segundo os pesquisadores, a descoberta desse tipo de conteúdo em outros assistentes de IA exigiria buscas mais complexas. No caso do Muse, uma única consulta foi suficiente para localizar milhares de endereços. O cofundador e diretor de tecnologia (CTO) da Claroc, Asaf Aprozper, afirmou que reportou a falha pelo programa de bug bounty da Meta em 8 de outubro de 2026. Ele também tentou contato com a empresa pelo LinkedIn, mas não recebeu uma resposta antes de a imprensa questionar a companhia.
A descoberta vai na contramão da declaração feita pelo CEO da Meta, Mark Zuckerberg, no mês anterior. Na ocasião, ele afirmou que o Muse havia sido desenvolvido desde o início com foco em privacidade e segurança. Em nota, a empresa confirmou a suspensão do recurso para investigar o caso e corrigir a falha.
A exposição também levanta dúvidas sobre a segurança de um assistente que pode executar tarefas de forma autônoma. O Muse chegou ao topo da lista de aplicativos mais baixados da App Store, da Apple, graças aos seus recursos de preenchimento de formulários, agendamento de compromissos, compras e criação de documentos. Para realizar essas ações, o agente precisa de acesso a diversas contas pessoais, o que aumenta a importância da proteção dos dados.
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Muse já teve outra falha de segurança
Este não é o primeiro problema de segurança identificado no assistente. Cerca de três semanas após o lançamento do Muse, Patrick Wardle, pesquisador especializado em segurança para macOS, descobriu uma vulnerabilidade zero-day que poderia permitir que outro aplicativo instalado no mesmo dispositivo assumisse o controle da conta do agente.
A falha poderia ser explorada com um ataque do tipo ClickFix, que engana a vítima para que ela execute comandos maliciosos no computador. Na época, a Meta minimizou a gravidade do problema e argumentou que a exploração dependia de um comprometimento prévio do dispositivo.
Agora, a suspensão do compartilhamento de links interrompe temporariamente a exposição associada às GhostShares. A Meta ainda precisa revisar a forma como o Muse gera e disponibiliza os endereços para evitar que conversas e documentos compartilhados sejam encontrados por pessoas não autorizadas.
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