E se os sinais de saúde não fosse monitorados pelo seu smartwatch, mas sim... pelos seus olhos? Uma lente de contato inteligente capaz de exibir informações, monitorar sinais de saúde e conectar o usuário ao mundo digital pode chegar ao mercado em 2030. Essa "tela dentro do seu olho" está sendo desenvolvida pela Xpanceo.
A companhia trabalha há cinco anos no projeto e já desenvolveu 28 protótipos funcionais. A expectativa é apresentar uma nova geração das lentes no Mobile World Congress (MWC), evento de tecnologia que acontece em Barcelona, entre 1º e 4 de março de 2027.
Apesar dos avanços, o produto ainda precisa passar por testes médicos e obter as certificações necessárias antes de chegar aos consumidores.
Como funciona essa lente de contato inteligente?
A lente reúne uma pequena tela, sensores, uma microbateria e uma antena em uma estrutura transparente. Ela funciona em conjunto com um dispositivo externo colocado na lateral da cabeça, que reúne câmera, microfone e fone de ouvido.
Esse acessório fica responsável pelo processamento de informações, pelo armazenamento de energia e pelo carregamento sem fio das lentes.
A Xpanceo também estuda aplicações em realidade aumentada e atividades profissionais que exigem acesso rápido a informações, como atletas e pilotos de corrida.
Lentes podem monitorar sinais de saúde
As lágrimas carregam informações biológicas que podem ajudar a monitorar diferentes indicadores do organismo. Assim, dá para medir glicose, proteínas, eletrólitos e hormônios relacionados ao estresse.
No caso de pessoas com diabetes, o acompanhamento da glicose pode até ajudar a observar alterações sem precisar furar a pele para coletar sangue.
A curvatura do olho também pode fornecer informações sobre a pressão intraocular, um indicador importante para acompanhar a saúde ocular e os riscos de doenças como o glaucoma.
A empresa ainda pesquisa formas de transformar esses dados em orientações para hábitos mais saudáveis. Por enquanto, porém, essas aplicações fazem parte do desenvolvimento da tecnologia, e não de um produto médico já disponível.
Segurança e privacidade são desafios
Para chegar ao mercado, as lentes precisam demonstrar que são seguras e confortáveis. A Xpanceo afirma trabalhar com polímeros certificados, materiais que permitem a passagem de oxigênio e são compatíveis com o organismo.
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A integração dos componentes eletrônicos ao material transparente é um dos principais desafios. A empresa pretende avaliar a compatibilidade das lentes primeiro em células, depois em animais e, por fim, em seres humanos.
A privacidade também exige atenção. Embora a lente não tenha câmera própria, o dispositivo externo inclui uma. A companhia diz estar desenvolvendo medidas específicas para proteger os dados coletados e transmitidos pelo sistema.
Quanto as lentes inteligentes podem custar?
A previsão da Xpanceo é começar os testes clínicos após a apresentação de 2027 e avançar gradualmente com contratos para empresas e instituições médicas. Se o cronograma for cumprido, versões voltadas a aplicações específicas podem chegar aos consumidores em 2030.
O preço estimado é de cerca de US$ 2 mil por ano, aproximadamente R$ 10.240, em um modelo de assinatura. No começo, a tela dentro do seu olho deve atender apenas a públicos específicos, como atletas profissionais e equipes de emergência. Em paralelo, novos óculos dão "visão de super-herói" e revelam luz invisível ao olho humano.
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