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Do iPhone à bola inteligente: 8 tecnologias que transformaram o futebol

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 1 hora)
Do iPhone à bola inteligente: 8 tecnologias que transformaram o futebol

Quem acompanha uma partida de futebol hoje talvez nem perceba quantos dispositivos entram em campo junto com jogadores e árbitros. Entre iPhones, bolas com sensores e câmeras corporais, a tecnologia passou a ajudar os envolvidos nos jogos a enxergar detalhes que antes dependiam quase que exclusivamente do olho humano.

Esses recursos não eliminam erros nem substituem todas as decisões humanas, mas oferecem mais dados, imagens e precisão para quem precisa analisar um lance em poucos segundos. Em outros casos, ajudam a entender melhor o desempenho dos atletas e até simplificam tarefas realizadas à beira do gramado.

E tem tecnologia para praticamente todos os lados do campo, chegando até mesmo fora das quatro linhas. Pensando nisso, o Canaltech reuniu 8 exemplos que mostram como aparelhos eletrônicos mudaram e continuam mudando o futebol:

  1. iPhones ajudam a identificar impedimentos;

  2. Bolas inteligentes sabem quando foram tocadas;

  3. Coletes com GPS monitoram os jogadores;

  4. Relógios avisam quando a bola entrou no gol;

  5. Câmeras mostram o jogo pela visão do árbitro;

  6. Headsets mantêm a equipe de arbitragem conectada;

  7. Bandeirinhas eletrônicas enviam alertas ao árbitro;

  8. Tablets digitalizam as substituições.

Trionda, bola da Copa do Mundo 2026

1. iPhones ajudam a identificar impedimentos

Você sabia que o mesmo smartphone que você usa para tirar fotos ou mandar mensagens também pode ajudar a decidir se um jogador está impedido? Sistemas de impedimento semiautomático conseguem usar câmeras dos iPhones para acompanhar com alta precisão a movimentação dos atletas.

Nas tecnologias implementadas em torneios como a Premier League e o Campeonato Mexicano, as imagens capturadas pelo celular alimentam uma tecnologia de rastreamento que registra milhares de pontos da superfície do corpo de cada jogador. A partir desses dados, o sistema consegue reconstruir os atletas em 3D e determinar com maior precisão suas posições dentro do campo.

É justamente essa tecnologia que passou a ser usada no futebol brasileiro em 2026. A CBF adotou o sistema da empresa Genius Sports no Brasileirão, com dezenas de dispositivos instalados nos estádios para auxiliar o VAR na análise dos lances.

O funcionamento completo vai muito além de simplesmente apontar a câmera de um celular para o gramado. A combinação entre imagens e inteligência artificial (IA) permite reconstruir as jogadas de forma precisa e entregar informações mais precisas ao árbitro de vídeo. 

iPhone instalado em estádio de futebol

2. Bolas inteligentes sabem quando foram tocadas

Por fora, elas continuam parecendo as bolas que todo torcedor conhece. Por dentro, no entanto, alguns modelos utilizados em grandes competições escondem sensores capazes de registrar informações sobre cada movimento feito durante uma partida.

A tecnologia de bola conectada da FIFA utiliza uma unidade de medição inercial, conhecida pela sigla IMU. O sensor registra dados cerca de 500 vezes por segundo, permitindo identificar movimentos em três dimensões e até o instante exato em que um jogador encosta na bola.

Essa informação é especialmente útil em impedimentos. Ao combinar o momento preciso do passe com o rastreamento da posição dos jogadores, o VAR consegue analisar lances mais ajustados sem depender apenas de encontrar o quadro correto em uma gravação de vídeo.

A tecnologia já apareceu em diferentes torneios da FIFA e chegou à Copa do Mundo de 2026 na TRIONDA, bola oficial da competição. E os dados não ficaram apenas no campo da teoria: o chip da bola ajudou a arbitragem em uma decisão envolvendo Portugal no campeonato.

Trionda

3. Coletes com GPS monitoram os jogadores

Sabe aquele colete preto que aparece por baixo da camisa dos jogadores durante treinos e partidas? Ele é mais do que uma simples vestimenta, e funciona como suporte para pequenos dispositivos de monitoramento que acompanham o atleta enquanto ele corre pelo campo.

Esses equipamentos fazem parte dos chamados sistemas eletrônicos de desempenho e rastreamento, ou EPTS. Dependendo do modelo, eles podem combinar GPS ou GNSS com acelerômetros, giroscópios e outros sensores para registrar diferentes aspectos da movimentação.

Com isso, as comissões técnicas conseguem acompanhar informações como:

  • Distância percorrida pelo atleta;

  • Velocidade do jogador;

  • Acelerações;

  • Intensidade do esforço na partida. 

Uma vez coletados, esses dados podem ser utilizados para avaliar o desempenho e ajustar cargas de treinamento ao longo da temporada. O acessório já se tornou bastante comum no futebol profissional, e seu uso deve atender a requisitos como não oferecer risco aos jogadores, passar por testes de segurança e cumprir padrões de precisão dos dados. 

Colete rastreamento futebol

4. Relógios avisam quando a bola entrou no gol

Em um chute que bate na trave, quica perto da linha e volta para o campo, alguns centímetros podem separar um grito de gol de um simples "quase". É justamente nesse tipo de lance que um relógio usado pelo árbitro ganha uma função muito mais importante do que mostrar quanto tempo falta para acabar o jogo.

O acessório trabalha em conjunto com a tecnologia da linha do gol, conhecida como GLT. Os sistemas mais comuns utilizam 14 câmeras de alta velocidade voltadas para as áreas dos gols para acompanhar a posição da bola em tempo real.

Quando o sistema detecta que ela ultrapassou completamente a linha, a informação precisa ser enviada aos árbitros em até um segundo. O aviso pode aparecer no relógio por meio de vibração e sinal visual, permitindo que o juiz confirme rapidamente o gol.

A tecnologia passou a fazer parte das Copas do Mundo masculinas em 2014 e continua presente nas grandes competições. Na Copa de 2026, a FIFA também utilizou um sistema com 14 câmeras dedicadas exclusivamente à linha do gol.

5. Câmeras mostram o jogo pela visão do árbitro

Imagine rever um drible, uma arrancada ou um chute de perto pela mesma perspectiva de quem estava correndo no meio dos jogadores. As câmeras vestíveis dos árbitros começaram a levar justamente esse ponto de vista para as transmissões de futebol.

No sistema mais recente da FIFA, uma câmera pequena e leve fica presa à cabeça do árbitro principal. O equipamento consegue transmitir imagens e áudio em alta definição em tempo real, oferecendo uma visão em primeira pessoa do que acontece dentro de campo.

Um dos primeiros grandes testes aconteceu no Mundial de Clubes de 2025, quando árbitros utilizaram câmeras durante as partidas. A ideia avançou na Copa do Mundo de 2026 com a Referee View, que recebeu até estabilização de imagem para reduzir os efeitos dos movimentos do juiz.

A tecnologia também ganhou espaço nas próprias regras. A International Football Association Board (IFAB), órgão responsável por definir e atualizar as Regras do Jogo, passou a prever o uso de câmeras corporais na edição 2026/27 do regulamento.

As competições podem permitir o equipamento para árbitros, assistentes e quartos árbitros, mas precisam seguir algumas condições. Entre elas, a câmera deve ser fornecida pela organização do torneio, as imagens precisam ficar sob controle da entidade e conversas com o VAR não podem ser transmitidas ao público.

Referee View

6. Headsets mantêm a equipe de arbitragem conectada

Levantar a bandeira ou trocar olhares já não são as únicas formas de comunicação entre os árbitros durante uma partida. Os headsets permitem que diferentes integrantes da equipe conversem enquanto acompanham o jogo de posições diferentes.

O conjunto combina fones, microfones e sistemas eletrônicos de transmissão. Assim, árbitro principal e assistentes conseguem trocar informações rapidamente sem precisar se aproximar ou interromper a partida para conversar.

Essa comunicação ganhou ainda mais importância com a chegada do VAR. O árbitro de vídeo fica conectado ao sistema usado pelos oficiais em campo e pode falar diretamente com o juiz quando é necessário realizar uma checagem ou revisão.

É uma tecnologia discreta para quem está na arquibancada, mas presente durante praticamente toda a partida, auxiliando em tomadas de decisão cruciais ao longo do jogo. 

Fone e microfone árbitro

7. Bandeirinhas eletrônicas enviam alertas ao árbitro

Até a tradicional bandeirinha dos assistentes (os bandeirinhas) ganhou uma versão mais tecnológica. Além de continuar servindo como sinal visual, alguns sistemas incorporam um recurso eletrônico que ajuda a chamar a atenção do árbitro principal.

Conhecida como beep flag, a tecnologia permite que o assistente envie um alerta eletrônico ao árbitro. Isso pode ser especialmente útil em um estádio barulhento ou quando o juiz está olhando para outra região do campo.

O sinal pode ajudar em situações de impedimento, faltas que ocorreram fora do campo de visão do árbitro e decisões apertadas envolvendo laterais, escanteios, tiros de meta ou gols.

Ou seja, a bandeira quadriculada tradicional não desapareceu dos gramados. A tecnologia funciona como uma segunda forma de comunicação, complementando tanto o gesto do assistente quanto os sistemas de áudio usados pela equipe de arbitragem.

Bandeirinha

8. Tablets digitalizam as substituições

Mas nem toda inovação precisa decidir um impedimento milimétrico ou acompanhar centenas de movimentos por segundo. Um simples tablet também começou a mudar uma tarefa bastante tradicional do futebol: organizar as substituições.

A proposta é substituir parte da papelada e da comunicação manual por um processo digital. Pelo aparelho, as equipes podem encaminhar pedidos de substituição e manter as informações disponíveis para quem participa da operação da partida.

O sistema também permite visualizar quantas trocas ainda estão disponíveis, o que ajuda a organizar o procedimento à beira do campo. Por enquanto, porém, não se trata de uma tecnologia adotada de forma universal pelas competições ao redor do mundo.

Um dos principais testes aconteceu no Mundial de Clubes da FIFA de 2025. Na ocasião, cada equipe recebeu um tablet antes das partidas para administrar digitalmente suas solicitações, mostrando que até uma tarefa tão tradicional quanto pedir uma substituição já começou a ganhar uma nova camada de tecnologia.

Tablet de substituição

E você sabia também que os anos em que o Brasil venceu a Copa do Mundo foram marcos para a tecnologia mundial? Confira 5 lançamentos que mudaram tudo nos anos dos títulos. 

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