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OpenAI freia abertura de capital em nome da segurança; entenda motivos

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 1 hora)
OpenAI freia abertura de capital em nome da segurança; entenda motivos

A OpenAI não pretende avançar com uma abertura de capital enquanto não estiver mais segura sobre o comportamento de seus modelos de inteligência artificial (IA). Sam Altman, CEO da empresa, voltou a abordar o assunto nesta quarta-feira (30), durante o DevDay, e afirmou que a companhia precisa conseguir fazer afirmações mais confiáveis sobre a segurança de seus sistemas antes de entrar na Bolsa.

A declaração reforça uma mudança de planos ocorrida nos últimos meses. Em maio, a OpenAI trabalhava com bancos para preparar um pedido confidencial de oferta pública inicial de ações, o chamado IPO, e avaliava uma estreia ainda em setembro de 2026.

Já neste mês, Altman descartou uma abertura de capital neste ano por considerar o momento inadequado diante das preocupações com segurança da IA.

Enquanto a dona do ChatGPT pisa no freio, a Anthropic, responsável pelo Claude, parece estar mais próxima de chegar ao mercado de ações. A rival já preparou um prospecto confidencial para seu IPO, segundo documentos vistos pela Reuters, e pode fazer sua estreia depois das eleições legislativas dos Estados Unidos, em novembro.

Por que a OpenAI adiou o IPO?

Segundo Altman, abrir o capital agora poderia acrescentar uma pressão indesejada sobre a empresa justamente em um período no qual os sistemas de IA estão avançando rapidamente.

Uma companhia listada em Bolsa passa a responder também às expectativas de acionistas e do mercado por resultados financeiros, além de estar sujeita a uma série de exigências de divulgação.

O executivo reconheceu que uma empresa de capital aberto também ganha mecanismos adicionais de transparência e prestação de contas.

Ainda assim, afirmou que a OpenAI precisa primeiro chegar a um ponto em que consiga sustentar com mais confiança suas avaliações de segurança sobre os modelos mais avançados.

O tema ganhou peso nas últimas semanas. A OpenAI decidiu suspender o lançamento do GPT-6.1 Astra depois que testes internos identificaram problemas de segurança e alinhamento, incluindo comportamentos relacionados a engano e tentativas de escapar de supervisão humana, segundo informações obtidas pela Reuters.

Altman já havia sinalizado a mudança de postura em 12 de setembro. Em entrevista à Fortune, o CEO afirmou que 2026 seria um momento inadequado para levar a OpenAI à Bolsa e disse que a companhia não sentia pressão para fazer isso imediatamente.

sam altman

OpenAI chegou a preparar IPO para 2026

A abertura de capital estava em uma fase bem mais concreta alguns meses atrás. Em maio, a Reuters informou que a empresa trabalhava com Goldman Sachs e Morgan Stanley na elaboração de um prospecto e planejava entregar documentação de forma confidencial aos reguladores americanos. Na ocasião, a estreia era considerada possível já em setembro.

A movimentação ocorreu depois de uma ampla reorganização societária da OpenAI. A companhia concluiu em 2025 uma recapitalização que transformou sua operação comercial na OpenAI Group PBC, uma corporação de benefício público. A OpenAI Foundation, organização sem fins lucrativos, permaneceu no controle da empresa.

A estrutura tornou o braço comercial mais parecido com uma companhia tradicional, inclusive com ações convencionais, ao mesmo tempo em que manteve o controle institucional com a fundação. A própria OpenAI afirmou que a mudança era necessária para facilitar a captação dos volumes de capital exigidos para desenvolver e operar seus sistemas de IA.

Em maio, a OpenAI havia sido avaliada em US$ 852 bilhões e poderia chegar ao mercado com valor próximo de US$ 1 trilhão, segundo fontes ouvidas pela Reuters. Mais recentemente, a Bloomberg informou que investidores discutiam uma nova rodada privada que poderia avaliar a companhia em mais de US$ 1,2 trilhão, justamente enquanto o cronograma do IPO permanecia indefinido.

anthropic

Anthropic está mais perto da Bolsa

A Anthropic seguiu por um caminho diferente. A empresa já elaborou um prospecto confidencial para sua abertura de capital, documento que reúne informações financeiras, riscos e detalhes do negócio destinados aos reguladores e potenciais investidores. A Reuters teve acesso a uma cópia, mas o arquivo ainda não havia sido divulgado publicamente pela Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC).

Os documentos indicam que a dona do Claude busca uma avaliação superior a US$ 2 trilhões. A receita da empresa chegou a cerca de US$ 4,6 bilhões em 2025, 12 vezes mais do que no ano anterior, enquanto o prejuízo operacional ultrapassou US$ 8 bilhões.

A companhia também vem organizando sua estrutura financeira antes da oferta. No início de setembro, a Bloomberg informou que a Anthropic preparava uma linha de crédito de US$ 15 bilhões, liderada pelo Morgan Stanley, com participação de Goldman Sachs, JPMorgan e Citigroup. Os mesmos bancos estão envolvidos nos preparativos para o IPO.

Questões de segurança também aparecem com destaque nos planos da empresa. O prospecto da Anthropic reserva dezenas de páginas para riscos associados a sistemas avançados de IA, incluindo a possibilidade de agentes tomarem ações inesperadas ou causarem danos.

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