O Kindle ficou 50% mais caro no Brasil após uma nova rodada de reajustes da Amazon. O leitor digital de 16 GB da 11ª geração agora custa R$ 899, e a própria empresa confirmou que a alta está ligada ao aumento global nos custos de componentes de memória e armazenamento.
O reajuste não ficou restrito aos leitores digitais. Produtos das linhas Echo e Fire TV também subiram de preço, com casos ainda mais expressivos. O Echo Spot de 2024, por exemplo, chegou a R$ 899 após uma alta de aproximadamente 55%.
Alta não tem relação com inflação no Brasil
Apesar do tamanho dos reajustes, a explicação dada pela Amazon não aponta para a inflação brasileira. O problema está no mercado global de componentes eletrônicos, especialmente memórias e unidades de armazenamento usadas em dispositivos como Kindles, caixas inteligentes e reprodutores de mídia.
Parte dessa pressão vem da atual corrida pela inteligência artificial generativa. Empresas como OpenAI, responsável pelo ChatGPT, Anthropic, criadora do Claude, e Google, dona do Gemini, demandam uma quantidade crescente de infraestrutura para treinar e operar seus modelos.
A NVIDIA também ocupa uma posição central nesse mercado, com suas GPUs para data centers de IA. A expansão acelerada dessa infraestrutura aumentou a procura por diferentes tipos de memória e colocou ainda mais pressão sobre a cadeia de semicondutores.
Na prática, fabricantes de eletrônicos de consumo passaram a disputar componentes com um setor de data centers que movimenta investimentos bilionários e cresce em ritmo acelerado. Esse cenário ajuda a explicar por que produtos vendidos no Brasil ficaram mais caros mesmo sem uma relação direta com a inflação doméstica.
Procurada pelo Canaltech, a Amazon confirmou o impacto desses custos:
"A indústria de eletrônicos de consumo enfrenta aumentos significativos nos custos de componentes de memória e armazenamento. Após absorver esses aumentos pelo maior tempo possível, ajustamos recentemente os preços em nossas linhas de produtos. Nossa abordagem sempre foi oferecer ótimos produtos a preços acessíveis, e esse compromisso não mudou."
A companhia não revelou quando exatamente os novos preços começaram a valer. Segundo a empresa, os custos extras foram absorvidos internamente durante algum tempo antes de chegar ao consumidor.
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Quanto custam os dispositivos da Amazon agora?
O Kindle básico está entre os produtos mais afetados, mas alguns dispositivos Echo registraram reajustes ainda maiores. Confira os preços atuais:
- Kindle 16 GB, 11ª geração: R$ 899;
- Kindle Paperwhite 16 GB, 12ª geração: R$ 1.149;
- Kindle Paperwhite Signature Edition 32 GB, 12ª geração: R$ 1.349;
- Kindle Colorsoft Signature Edition 32 GB: R$ 1.749;
- Fire TV Stick HD: R$ 479;
- Echo Dot 5ª geração: R$ 649;
- Echo Dot Max: R$ 999;
- Echo Spot 2024: R$ 899;
- Echo Show 5, 3ª geração: R$ 849;
- Echo Show 8, 4ª geração: R$ 1.999;
- Echo Show 11: R$ 2.499.
No momento, alguns modelos aparecem, no momento, com preços "promocionais" que mantém o valor anterior principalmente para pagamentos à vista ou próximo disso para pagamento parcelado em até 12x. Os valores reais, porém, já são marcados com acréscimo. Vale destacar, porém, que essa semana é o "Alexa Week", o que pode justificar esses descontos em cima do novo preço.
Nem todo o catálogo sofreu aumentos na mesma proporção. Produtos mais caros, como o Kindle Scribe, Echo Studio e Echo Show 15 de 2ª geração, não aparecem entre os dispositivos com reajustes significativos informados até agora.
A Amazon também não disse se a atual tabela será permanente ou se os preços poderão recuar caso o mercado de memória e armazenamento volte a se estabilizar.
Recentemente, a Amazon organizou mais um do seu tradicional "Encha seu Kindle" com centenas de livros gratuitos para usuários do e-reader.
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