Fabricantes de receptores, emissoras e operadores de satélite estão desenvolvendo uma nova geração de equipamentos para televisão aberta via parabólica no Brasil, chamada de TVRO 2.5. A tecnologia está sendo demonstrada nesta semana durante a SET Expo, em São Paulo, e combina a recepção dos canais por satélite com conexão à internet.
O objetivo é manter a transmissão tradicional dos canais pelo satélite, enquanto a conexão com a internet adiciona recursos extras ao receptor. Dessa forma, o telespectador pode continuar assistindo à programação normalmente, mas tem acesso a funções que dependem de conectividade.
Entre as possibilidades estão pesquisas, votações e informações atualizadas, como previsão do tempo e indicadores financeiros. Esses conteúdos poderão aparecer diretamente na tela da televisão e ser controlados pelo usuário.
A proposta é semelhante ao conceito de televisão conectada que vem ganhando espaço com a TV 3.0, mas aplicada ao ecossistema das parabólicas.
Publicidade também será diferente
A conexão com a internet não servirá apenas para oferecer recursos ao público. As emissoras também poderão utilizar a tecnologia para criar novos formatos comerciais.
Um dos recursos previstos é o DAI (Dynamic Ad Insertion), que permite inserir anúncios de maneira dinâmica durante a programação. Também estão previstos formatos como banners.
A conectividade poderá ainda fornecer dados sobre o consumo dos conteúdos, permitindo a medição de audiência e oferecendo às emissoras informações mais detalhadas sobre o comportamento dos telespectadores.
Quais receptores terão a tecnologia?
O desenvolvimento envolve diferentes fabricantes. A Century, Bedin Sat e Vivensis estão entre as empresas que participaram dos acordos firmados para desenvolver receptores compatíveis com a nova proposta.
A tecnologia ganha relevância pela dimensão da TV via satélite no país. Segundo dados divulgados pela Claro, existem cerca de 17 milhões de receptores instalados, enquanto a distribuição por satélite alcança 180 canais de televisão e 32 emissoras de rádio.
Ainda não há, porém, uma oferta ampla de receptores TVRO 2.5 para o consumidor. A tecnologia segue em fase de desenvolvimento e demonstração.
Como isso se compara à TV 3.0?
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O conceito fica mais fácil de entender quando comparado à experiência que já tivemos com a TV 3.0. Em nosso teste com um receptor DTV+ da Intelbras, verificamos na prática como a televisão aberta pode combinar transmissão convencional e internet.
Durante uma partida de futebol, foi possível acessar escalações, estatísticas, enquetes e opções adicionais de áudio pelo próprio controle remoto. A tecnologia também permitiu transmissão em 4K em conteúdos compatíveis.
A TVRO 2.5 segue justamente essa lógica de unir o sinal tradicional a recursos digitais, mas utilizando a infraestrutura da televisão aberta via satélite. Se a proposta avançar, a parabólica poderá deixar de ser apenas uma forma de receber canais e se tornar uma plataforma mais interativa. Vale lembrar que o conversor de TV 3.0 pode chegar grátis para famílias de baixa renda.
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